A copiloto brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, morreu na queda de um avião particular na Flórida, nos Estados Unidos, no domingo, 1º de novembro de 2026. Antes da tragédia, a jovem havia compartilhado nas redes sociais vídeos mostrando momentos de sua rotina profissional, incluindo imagens dentro da cabine de comando de uma aeronave Learjet 60, modelo utilizado no voo que terminou em acidente. Após a confirmação de sua morte, as publicações passaram a receber homenagens e mensagens de despedida.
Nathalia era filha de brasileiros, nasceu na Flórida e construiu desde muito jovem uma trajetória ligada à aviação. Ela conquistou sua licença de piloto aos 17 anos, ainda durante o ensino médio, e acumulava aproximadamente 1.300 horas de voo. Segundo familiares, a jovem havia se formado pela escola de aviação American Flyers e trabalhava profissionalmente como copiloto havia cerca de nove meses. Seu objetivo era construir uma carreira na aviação executiva e, futuramente, pilotar aeronaves de companhias aéreas comerciais.
A mãe da jovem, Camila Gadelha Corteleti, confirmou à CNN Brasil que Nathalia estava trabalhando no momento do acidente. Em entrevista, destacou que a filha exercia a função de copiloto e não tinha poder de decisão sobre a condução do voo. O padrasto, Thiago Corteleti, também relatou que ela havia conquistado a licença de pilotagem aos 17 anos e demonstrava dedicação à profissão desde a adolescência.
O acidente envolveu um Learjet 60, de matrícula N722BD, operado pela empresa Aurora Aviation, que utilizava o nome comercial Upper Jet. A aeronave havia decolado do Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom, no Texas, com destino ao Aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas. A queda aconteceu por volta das 12h50, no horário local, na região de Lake Worth Beach e Greenacres, no condado de Palm Beach. Os nove ocupantes, sendo dois tripulantes e sete passageiros, morreram.
Entre as vítimas estavam também o empresário de tecnologia Adam Robinson, sua esposa, Helen Sharp, os filhos do casal, Emma, de quatro anos, e Charlie, de dois, além de Anita Maria Cetina, que ajudava a cuidar das crianças. Outras vítimas identificadas foram Rachael Reed e Charmi Fehr. A tragédia atingiu uma área residencial e provocou uma explosão, deixando uma cratera no local do impacto e espalhando destroços pelas proximidades.
As gravações das comunicações entre a tripulação e o controle de tráfego aéreo revelaram que os pilotos relataram problemas meteorológicos pouco antes da queda. A aproximadamente 35 mil pés de altitude, a tripulação informou a presença de formação de gelo na aeronave e turbulência moderada. Posteriormente, comunicou a entrada em uma região de precipitação e solicitou autorização para subir até 37 mil pés, na tentativa de encontrar condições mais favoráveis.
A situação se agravou rapidamente. As comunicações registraram pedidos de socorro e informações sobre uma descida extremamente acelerada, com a aeronave chegando a apresentar uma taxa de perda de altitude de aproximadamente 20 mil pés por minuto. Em uma das últimas transmissões, um integrante da tripulação informou que o avião iria atingir o solo. A gravação também registra momentos de desespero na cabine. Embora existam informações sobre a participação de uma voz feminina nas comunicações, não há confirmação definitiva de que todas as falas registradas tenham sido pronunciadas por Nathalia.
Em atualização divulgada na segunda-feira, 2 de novembro, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) informou que os investigadores encontraram indícios de que a aeronave pode ter começado a se despedaçar ainda no ar, antes de atingir o solo. O órgão também destacou que os destroços foram encontrados em diferentes pontos, alguns distantes do local principal do impacto. As condições meteorológicas, o comportamento da aeronave e possíveis problemas mecânicos estão entre os aspectos investigados.
Outro desafio é a recuperação dos destroços e dos equipamentos de gravação da cabine. Segundo os investigadores, registros de manutenção indicam que o avião havia sido equipado com um gravador de voz da cabine, mas ainda não estava confirmado se o equipamento permanecia instalado e poderia ser recuperado. A água acumulada na cratera provocada pelo impacto também dificultava os trabalhos.
A repercussão do acidente trouxe novamente atenção à trajetória de Nathalia e aos vídeos que ela publicava nas redes sociais. As gravações autênticas mostram a jovem na cabine de comando, compartilhando sua rotina profissional e a paixão pela aviação. Entretanto, também circulou um vídeo produzido por inteligência artificial que dramatiza os momentos finais do acidente. Esse material não corresponde a uma gravação real do interior da aeronave e não deve ser confundido com as imagens publicadas anteriormente pela copiloto.
A investigação permanece sob responsabilidade do NTSB, com participação da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).













