A colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha deixou pelo menos 68 mortos e dezenas de feridos, segundo o balanço divulgado pelas autoridades regionais em 28 de outubro de 2026. O acidente aconteceu nas proximidades de Urda, na província de Toledo, na linha ferroviária que liga Madri a Sevilha. Um trem AVE operado pela estatal Renfe atingiu a traseira de uma composição da empresa privada Iryo, que estava parada nos trilhos. A força do impacto provocou o descarrilamento de vagões, alguns dos quais caíram por um aterro. As equipes de emergência trabalharam durante todo o dia no resgate das vítimas e na retirada dos destroços.
De acordo com o governo regional de Castilla-La Mancha, 44 das vítimas fatais estavam no trem da Iryo e outras 24 viajavam na composição da Renfe. As duas composições transportavam, juntas, 544 passageiros: 397 no trem estatal e 147 no serviço privado. As informações divulgadas pela Associated Press e pela Reuters indicavam ainda que 58 pessoas recebiam atendimento hospitalar. O balanço inicial havia apontado 64 mortes, mas foi atualizado para 68 à medida que as equipes avançaram nos trabalhos de busca. A gravidade dos danos nos vagões dificultou o atendimento e a identificação das vítimas.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, esteve na região do acidente e anunciou três dias de luto oficial, de 29 a 31 de outubro. O chefe de governo prometeu uma investigação completa para esclarecer as circunstâncias da colisão e identificar eventuais responsabilidades. O rei Felipe VI também manifestou solidariedade às famílias das vítimas. As operações de emergência mobilizaram equipes médicas, bombeiros, policiais e integrantes da Unidade Militar de Emergências. A circulação ferroviária de alta velocidade entre Madri, Ciudad Real e a região da Andaluzia foi suspensa, enquanto a operadora de infraestrutura Adif habilitou pontos de atendimento aos passageiros afetados.
As primeiras informações sobre as circunstâncias do acidente apontaram para uma possível falha na sinalização e uma decisão de liberar a circulação do trem da Renfe apesar da presença da outra composição na mesma via. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que uma falha de comunicação afetou o sistema de segurança ferroviária LZB em um trecho de aproximadamente 63 quilômetros. Segundo sua reconstrução preliminar, o centro de controle de Atocha assumiu a gestão da circulação e autorizou a retomada do trajeto do trem da Renfe. A colisão ocorreu por volta das 8h53, horário local. Puente classificou como “inexplicável” a autorização para que a composição prosseguisse nas condições relatadas. As causas e eventuais responsabilidades, entretanto, ainda dependem da investigação.
O acidente voltou a colocar em debate a segurança da rede ferroviária espanhola. Em janeiro de 2026, uma colisão envolvendo trens de alta velocidade nas proximidades de Adamuz, na província de Córdoba, havia deixado 46 mortos, segundo o balanço divulgado na época. Os dois acidentes envolveram composições operadas pela Renfe e pela Iryo, embora as autoridades tenham ressaltado que as circunstâncias precisam ser examinadas separadamente. Representantes dos trabalhadores ferroviários também levantaram questionamentos sobre a manutenção da infraestrutura e o aumento do tráfego na rede, sem que esses fatores tenham sido oficialmente estabelecidos como causas da tragédia de Toledo.
Enquanto as investigações prosseguem, as autoridades espanholas mantêm a prioridade no atendimento aos feridos, na identificação das vítimas e no apoio aos familiares. A Renfe informou ter ativado seu plano de assistência a vítimas e parentes, além de disponibilizar uma linha telefônica para atendimento. A Adif confirmou a interrupção da circulação na linha de alta velocidade Madri–Andaluzia e orientou os passageiros a consultar as operadoras sobre alterações nas viagens. O governo espanhol prometeu esclarecer a sequência dos acontecimentos e adotar as medidas necessárias caso sejam confirmadas falhas operacionais ou de segurança. Até a atualização das informações consultadas em 29 de outubro, o balanço confirmado era de pelo menos 68 mortos, e a apuração das causas permanecia em andamento.















