A primeira versão de uma carta divulgada em 28 de outubro de 2026, atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamou a atenção por apresentar um brasão histórico com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com a letra “z”. O documento foi divulgado por aliados do parlamentar após sua chegada aos Estados Unidos e trazia, além do símbolo desatualizado, uma declaração em que Flávio se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O caso foi noticiado pela CartaCapital, pela Folha de S.Paulo e por outros veículos de comunicação.
A inscrição estampada no brasão remete a uma denominação histórica do país. A grafia “Brazil” foi utilizada em documentos oficiais brasileiros, inclusive no período inicial da República. Em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas, a padronização ortográfica oficial passou a determinar o uso de “Brasil”, com “s”. Posteriormente, a denominação oficial do país foi consolidada como República Federativa do Brasil. Portanto, embora a grafia com “z” tenha existido historicamente, ela não corresponde à inscrição utilizada no brasão oficial contemporâneo.
Após a circulação da primeira versão, aliados de Flávio Bolsonaro distribuíram outro arquivo com o brasão atualizado. Segundo reportagens publicadas pela CartaCapital e pela Folha de S.Paulo, a carta passou por novas alterações em um curto intervalo de tempo. Em uma das versões posteriores, o símbolo foi corrigido, mas o texto ainda apresentava o senador como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Uma versão subsequente também modificou essa declaração, substituindo a expressão por uma referência à sua condição de líder político.
O episódio ocorreu no contexto da disputa presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado em 25 de outubro. A divulgação da carta trouxe acusações de fraude eleitoral e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As reportagens consultadas informaram que o documento não apresentou provas capazes de sustentar as alegações de fraude. A contestação política do resultado, portanto, deve ser distinguida de uma comprovação de irregularidades eleitorais.
Na carta, Flávio também afirmou que pretendia liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, pela acolhida. O senador apresentou sua viagem como parte de uma estratégia política e afirmou que continuaria atuando em defesa de seus apoiadores. A publicação do documento substituiu uma coletiva de imprensa que estava prevista para ocorrer em Miami, conforme noticiado pela imprensa brasileira.
A repercussão da imagem do brasão acrescentou um novo elemento à controvérsia envolvendo a carta. Além da mudança no símbolo nacional, as diferentes versões do documento evidenciaram alterações na forma como o senador se apresentou publicamente após a eleição. Até o encerramento desta apuração, as informações disponíveis confirmavam a circulação de versões distintas da carta, a correção posterior do brasão e a mudança na declaração de Flávio sobre sua posição política. As acusações eleitorais, por sua vez, permaneciam sem comprovação apresentada no documento.















