Anitta ironiza Flávio Bolsonaro com declaração sobre estar “sem celulite”

A cantora Anitta utilizou o humor para ironizar o senador Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação de uma carta na qual o parlamentar contestou o resultado das eleições presidenciais de 2026 e chegou a se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A manifestação da artista ocorreu na quarta-feira (28 de outubro), por meio de vídeos publicados nos Stories do Instagram, e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

Na gravação, Anitta reproduziu, de maneira satírica, o tom da declaração do senador. “Hoje eu venho aqui me autodeclarar sem celulite, tá? O que eu tenho vivido nesses últimos momentos da minha vida é um golpe, porque eu treino”, afirmou a cantora no início do vídeo. Em seguida, passou a enumerar seus esforços para manter a forma física, embora tenha reconhecido que compromissos profissionais, viagens e passeios interrompem sua rotina de exercícios.

A artista também brincou com seus hábitos alimentares, afirmando que costuma consumir alimentos saudáveis, mas que mantém por perto um pequeno pacote de doces, apelidado por ela de “saquinho do erê”, de onde retira balas e chicletes ao longo do dia. Na sequência, argumentou, em tom irônico, que essas escapadas não deveriam anular sua intenção de não ter celulites.

“Então eu me autodeclaro sem celulite e vocês vão ver aí nos próximos meses, na próxima temporada, quando começar a botar para jogo todo esse esforço, o que vocês verem não é compatível com a realidade. O que vocês estão vendo ali, quando vocês olharem, é golpe”, declarou.

Anitta continuou a brincadeira afirmando que qualquer fotografia ou vídeo que mostrasse uma pessoa semelhante a ela com celulite teria sido manipulado. A cantora encerrou a manifestação reforçando que nenhuma imagem poderia ser considerada superior ao seu decreto de que as celulites não existiam. A provocação foi uma referência direta à tentativa de Flávio Bolsonaro de contestar o resultado eleitoral por meio de uma autodeclaração.

A carta do senador foi divulgada na quarta-feira (28), depois de sua chegada aos Estados Unidos. Na primeira versão, Flávio afirmou ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e alegou ter presenciado uma suposta fraude eleitoral no segundo turno. Posteriormente, o documento foi alterado, substituindo a expressão por “líder do Brasil”. Pelo menos quatro versões do texto circularam naquele dia.

A contestação ocorreu apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter anunciado oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou a disputa com 59.826.041 votos, ou 48,21%. A apuração foi concluída com 100% das urnas totalizadas, conforme balanço divulgado pelo próprio tribunal em 29 de outubro.

A repercussão da carta também provocou manifestações de integrantes do próprio campo político do senador. Em declaração divulgada pela imprensa, Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que não havia provas para sustentar uma acusação de fraude eleitoral. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também declarou em 30 de outubro que ninguém havia aprovado a carta e demonstrou insatisfação com a iniciativa.

A manifestação de Anitta transformou um episódio político em assunto de entretenimento e debate nas redes sociais. A cantora utilizou uma situação cotidiana relacionada à aparência física para satirizar a tentativa de alterar, por meio de uma declaração, uma realidade respaldada por dados oficiais. A brincadeira repercutiu em diferentes veículos de comunicação e passou a integrar as principais reações públicas à carta divulgada pelo senador.

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