O cantor Netinho, um dos nomes marcantes do axé music brasileiro, morreu nesta terça-feira (13 de outubro de 2026), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. A informação foi confirmada pela assessoria do artista e divulgada por veículos nacionais, entre eles a Agência Brasil e o g1. O músico enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, um câncer que afeta o sistema linfático. Segundo o comunicado de sua equipe, o quadro clínico evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A morte encerra a trajetória de um artista que ajudou a popularizar a música baiana em todo o país, especialmente durante o crescimento do axé music e a expansão do Carnaval de Salvador. Canções como “Milla”, “Menina”, “Fim de Semana” e “Beijo na Boca” marcaram diferentes gerações e se tornaram presença frequente em festas populares, trios elétricos e apresentações musicais. A repercussão do falecimento mobilizou fãs, artistas e representantes da cultura baiana.
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho iniciou sua trajetória profissional de destaque em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Com o grupo, ganhou projeção nacional por meio da música “Beijo na Boca”, que ajudou a consolidar seu nome no cenário musical brasileiro. A experiência abriu caminho para uma carreira solo que ampliaria ainda mais sua popularidade.
Em 1993, o cantor lançou seu primeiro álbum solo e passou a emplacar sucessos como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”. O grande marco de sua carreira veio com “Milla”, lançada em 1996, música que se transformou em um dos símbolos do axé music. A canção atravessou décadas e permaneceu associada ao Carnaval, às festas de verão e à memória afetiva de milhares de brasileiros. Com presença marcante nos palcos e nos trios elétricos, Netinho contribuiu para ampliar o alcance nacional da música produzida na Bahia.
A trajetória do artista também foi marcada por problemas de saúde. Em 2013, ele foi internado em Salvador e posteriormente transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após apresentar tonturas e mal-estar. Naquele período, enfrentou complicações hepáticas e sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), além de passar por cirurgias cerebrais. Os problemas comprometeram temporariamente sua fala e sua capacidade de cantar, levando-o a se afastar dos palcos por alguns anos. Em dezembro de 2017, iniciou o retorno às apresentações e voltou gradualmente à atividade musical.
Em fevereiro de 2025, Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B, uma forma de câncer que atinge o sistema linfático. Após o tratamento, a doença entrou em remissão em outubro daquele ano, mas voltou a se manifestar em maio de 2026. Desde então, o cantor enfrentava uma nova etapa de tratamento e compartilhava informações sobre sua condição com os fãs. Em 30 de setembro de 2026, foi internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, onde permaneceu até a morte.
Em comunicado divulgado após o falecimento, a assessoria destacou a trajetória artística do cantor e sua relação com o público. “Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível”, afirmou a equipe. A nota também ressaltou que sua voz e sua energia permanecerão na memória dos fãs. O comunicado informou ainda que, por desejo expresso do próprio artista, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, restritos a familiares e amigos próximos.
A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia também divulgou uma nota de pesar, destacando a contribuição de Netinho para a história do Carnaval baiano e para a divulgação da música produzida no estado no Brasil e no exterior. A pasta ressaltou a importância do cantor para a consolidação do axé music e sua presença nos trios elétricos, que ajudaram a transformar o gênero em uma das principais expressões da cultura popular brasileira.
Netinho deixa uma filha, Bruna Trindade Andrade, de 28 anos, que atua como médica residente em ortopedia. Até a publicação das primeiras notícias sobre a morte, os horários e os locais do velório e da cremação não haviam sido divulgados, e a família pediu respeito à privacidade neste momento de despedida.
A morte do cantor representa uma perda significativa para a música brasileira, especialmente para o axé music, gênero que ganhou projeção nacional nas décadas de 1980 e 1990. Com sucessos que atravessaram gerações, Netinho construiu uma carreira ligada à alegria do Carnaval e à identidade musical da Bahia. Sua obra permanece presente na memória de fãs que acompanharam sua trajetória desde a Banda Beijo até os grandes palcos de sua carreira solo.













