Protesto contra cortes na educação termina em confronto e prisões na Argentina

Foto Federico Lopez Claro (Jornal Clarin)

Uma grande manifestação em defesa das universidades públicas terminou em confrontos entre manifestantes e forças de segurança nesta quinta-feira (15), em Buenos Aires, na Argentina. O ato reuniu estudantes, professores, trabalhadores universitários e representantes de organizações sociais que exigem que o presidente Javier Milei cumpra a legislação que prevê a recomposição do financiamento das instituições públicas de ensino superior. Durante os incidentes nas proximidades do Congresso Nacional, policiais utilizaram gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar grupos de manifestantes.

A mobilização fez parte da 5ª Marcha Federal Universitária, organizada para pressionar o governo argentino a aplicar a Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso em 2025. A legislação prevê a atualização dos recursos destinados às universidades, a recomposição dos salários de professores e funcionários e a recuperação de valores relacionados às bolsas estudantis, considerando a inflação. O governo Milei, que conduz uma política de austeridade fiscal para reduzir os gastos públicos, resiste à implementação integral da medida, apesar de decisões judiciais favoráveis à aplicação da lei.

Os confrontos ocorreram nas imediações do Parlamento, onde um grupo de manifestantes lançou pedras e objetos contra as barreiras de proteção e as forças policiais. A intervenção das autoridades atingiu também pessoas que participavam pacificamente da mobilização. Segundo informações divulgadas pela AFP, 25 pessoas foram detidas e oito agentes de segurança ficaram feridos. Os incidentes anteciparam o encerramento de parte das atividades e provocaram momentos de tensão no centro da capital argentina.

A manifestação reuniu milhares de pessoas em Buenos Aires e teve mobilizações paralelas em outras cidades, incluindo Córdoba e Rosário. O jornal espanhol El País estimou que os atos chegaram a reunir cerca de um milhão de participantes em todo o território argentino. A mobilização contou com a participação de entidades estudantis, sindicatos, docentes e organizações da sociedade civil, que defendem a manutenção do financiamento público para o ensino superior, a pesquisa científica e a formação profissional.

A Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das principais instituições públicas do país, participou da convocação e criticou o descumprimento da legislação. Em manifestações públicas, a instituição defendeu que as leis aprovadas pelos representantes eleitos sejam respeitadas. Segundo dados divulgados por representantes universitários e reproduzidos pela imprensa internacional, a perda do poder de compra dos salários e a redução dos recursos disponíveis têm dificultado o funcionamento das instituições e ampliado a preocupação de professores e estudantes com a continuidade das atividades acadêmicas.

O impasse ocorre em meio ao programa econômico de Milei, que busca equilibrar as contas públicas por meio da redução de despesas estatais, revisão de subsídios e mudanças na estrutura administrativa. O governo argumenta que a expansão dos gastos precisa respeitar as limitações fiscais, enquanto representantes das universidades afirmam que a falta de recursos compromete o ensino, a pesquisa e o acesso dos estudantes à educação superior. A disputa também chegou ao Judiciário, que determinou medidas para exigir a aplicação da lei de financiamento universitário, decisão contestada pelo Executivo.

Os protestos evidenciam o aumento da tensão entre o governo argentino e setores da comunidade acadêmica. Para estudantes e professores, a recomposição orçamentária é necessária para preservar a qualidade e a gratuidade do ensino público. Já o governo mantém a defesa do ajuste fiscal como parte central de sua política econômica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui