Flávio muda carta após se declarar presidente eleito e mantém acusações de fraude

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) republicou nesta quarta-feira, 28 de outubro de 2026, uma carta dirigida aos brasileiros e à comunidade internacional e retirou o trecho em que se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na nova versão, o parlamentar passou a se definir como “líder do Brasil”, mantendo as críticas ao Judiciário e as acusações de fraude eleitoral. A mudança ocorreu poucos minutos depois da divulgação inicial do documento, que circulou nas redes sociais após sua chegada aos Estados Unidos. A alteração foi noticiada pelo Times Brasil, pela CNN Brasil e por outros veículos de comunicação.

A carta foi divulgada após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 25 de outubro. Segundo os resultados oficiais anunciados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%, uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O resultado foi anunciado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.

Apesar de retirar a expressão “verdadeiro presidente eleito”, Flávio manteve na carta as acusações de fraude na votação, perseguição política e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral. O senador também questionou a ampliação do horário de votação em parte do país e afirmou que pretende buscar a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. Até o momento das reportagens consultadas, o documento não apresentava provas que demonstrassem irregularidades capazes de alterar o resultado eleitoral.

Os dados divulgados pela Justiça Eleitoral também foram citados nas reportagens sobre a controvérsia. Em balanço publicado em 26 de outubro, o TSE confirmou a vitória de Lula e apresentou os números finais do segundo turno. A CNN Brasil informou ainda que, segundo dados da Justiça Eleitoral, 32.399 votos foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h. Esses números são inferiores à diferença de votos entre os dois candidatos e, isoladamente, não sustentam a alegação de que a extensão do horário teria provocado a derrota de Flávio.

No documento, o senador também justificou sua saída do Brasil e afirmou que pretende continuar a articulação política a partir dos Estados Unidos. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu. Flávio declarou que pretende manter contato com seus apoiadores e apresentar uma estratégia para organizar a oposição, mencionando parlamentares e governadores aliados. A carta também faz referências ao senador Rogério Marinho (PL-RN), citado como seu candidato à presidência do Senado.

A repercussão da publicação se estendeu ao próprio campo político do senador. O Times Brasil noticiou que Rogério Marinho apontou problemas na elaboração da primeira versão da carta e se distanciou da acusação de fraude eleitoral atribuída ao documento. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump também foi questionado sobre a declaração de Flávio e afirmou que não pretendia se envolver no assunto, segundo reportagem publicada pelo próprio veículo. Esses desdobramentos ampliaram a repercussão política do episódio e evidenciaram diferenças de posicionamento entre os envolvidos.

A mudança da carta, portanto, alterou a forma como Flávio Bolsonaro se apresentou publicamente, mas não eliminou as acusações contra o processo eleitoral brasileiro. A distinção fundamental é que a primeira versão continha uma declaração de que ele seria o “verdadeiro presidente eleito”, enquanto o resultado oficial proclamado pelo TSE confirmou a vitória de Lula. Até que eventuais denúncias sejam acompanhadas de provas e examinadas pelas autoridades competentes, as alegações de fraude devem ser tratadas como afirmações do senador, e não como fatos comprovados.

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