O segundo dia do julgamento dos três acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri terminou na noite desta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, no Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. A sessão durou cerca de dez horas e foi marcada pelos interrogatórios de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. O julgamento será retomado nesta quinta-feira, 1º de outubro, para as próximas etapas antes da decisão dos jurados.
Antônio Gomes da Silva, apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso como o autor dos disparos, confessou durante o interrogatório que matou Zampieri. Ele, porém, negou ter cometido o crime mediante pagamento ou a mando de outra pessoa. Segundo a versão apresentada pelo réu, ele teria agido por uma motivação pessoal relacionada ao que considerava uma missão contra a corrupção.
Durante o depoimento, Antônio afirmou que pesquisou a vida de Zampieri e monitorou os escritórios do advogado antes do assassinato. Segundo seu relato, ele utilizou uma história envolvendo uma suposta negociação de terras para se aproximar da vítima. O réu disse ainda que se apresentou como capelão e utilizou uma caixa para transportar a arma até o local do crime.
Antônio também relatou aos jurados que atirou contra Zampieri quando o advogado estava entrando em seu veículo. Questionado sobre o momento posterior aos disparos, afirmou que considerou a ação uma “missão cumprida”. O réu ainda pediu perdão à família da vítima, mas manteve a versão de que não havia recebido dinheiro para executar o homicídio.
Os outros dois acusados também foram interrogados durante a sessão. Hedilerson Fialho Martins Barbosa é apontado na denúncia do Ministério Público como alguém que teria auxiliado na execução do plano e fornecido a arma utilizada no crime. Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas também responde à acusação de participação no homicídio. As responsabilidades individuais de cada acusado ainda serão analisadas pelo Conselho de Sentença.
O julgamento começou na terça-feira, 29 de setembro, quando seis testemunhas prestaram depoimento. Foram ouvidos delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal, além de outras pessoas relacionadas à investigação. Depois dessa fase, acusação e defesa desistiram das testemunhas que ainda estavam previstas, permitindo que o processo avançasse para os interrogatórios dos réus.
Com o encerramento da segunda etapa, ainda não houve sentença. O próximo passo será a realização dos debates entre o Ministério Público e as defesas, nos quais serão apresentadas aos jurados as respectivas teses sobre a responsabilidade dos acusados. Depois dos debates, o Conselho de Sentença deverá responder aos quesitos apresentados pela Justiça e, somente então, o juiz presidente poderá proferir a decisão.
O júri é presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. A acusação é conduzida pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso. Até o fim da sessão de 30 de setembro, portanto, os três acusados permaneciam sem uma decisão do Conselho de Sentença.













