Taques e Medeiros trocam acusações sobre ata que marcou eleição de 2010

Os candidatos ao Senado por Mato Grosso Pedro Taques (PSB) e José Medeiros (PL) protagonizaram um dos momentos mais tensos do debate promovido pelo g1 Mato Grosso, na tarde desta quinta-feira (3). O confronto trouxe de volta uma disputa judicial iniciada nas eleições de 2010, envolvendo a ata da convenção que definiu a composição da chapa de Taques ao Senado e a ordem dos suplentes.

Durante o debate, Taques acusou Medeiros de ter sido beneficiado por uma alteração no documento que registrava os suplentes da chapa. Segundo o ex-governador, Paulo Fiúza era originalmente o primeiro suplente e Medeiros ocupava a segunda suplência. Taques afirmou que uma ata posteriormente apresentada à Justiça Eleitoral inverteu as posições e permitiu que Medeiros assumisse a cadeira no Senado quando ele deixou o cargo para disputar o Governo de Mato Grosso.

“Você só virou senador porque falsificou ata. Eu fui testemunha contra você em relação a isso. Você foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral”, afirmou Taques durante o confronto. Na sequência, o candidato voltou a citar o processo e disse que os materiais de campanha de 2010 apresentavam Fiúza como primeiro suplente e Medeiros como segundo.

Medeiros negou ter participado de qualquer falsificação. O deputado afirmou que já havia sido escolhido como primeiro suplente e atribuiu a divergência a um problema relacionado à assinatura do documento. “Se alguém falsificou deliberadamente aquilo lá, não fui eu”, respondeu. Medeiros também acusou Taques de calúnia e afirmou que, durante a campanha de 2010, o próprio candidato o apresentava como seu primeiro suplente em determinadas regiões do Estado.

A controvérsia tem origem nas eleições de 2010. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), a documentação inicialmente apresentada indicava outra composição para a suplência. Posteriormente, uma nova ata, datada de 1º de agosto de 2010 e apresentada à Justiça Eleitoral, colocou José Medeiros na primeira suplência. Em decisão publicada em 2018, o TRE-MT concluiu que houve falsificação no documento e que a alteração favoreceu Medeiros.

O episódio ganhou importância política quatro anos depois. Pedro Taques deixou o Senado para assumir o Governo de Mato Grosso após vencer a eleição de 2014, e José Medeiros ocupou a cadeira por estar registrado como primeiro suplente. Paulo Fiúza, que segundo o entendimento do TRE-MT deveria ocupar a primeira suplência na composição original, questionou judicialmente a situação.

Em 31 de julho de 2018, o TRE-MT decidiu pela cassação do mandato de Medeiros e determinou a diplomação de Paulo Fiúza. O tribunal afirmou oficialmente que a fraude na ata havia beneficiado Medeiros. Posteriormente, porém, a cassação foi suspensa e o Tribunal Superior Eleitoral manteve Medeiros no cargo ao rejeitar, em setembro de 2018, recurso apresentado por Fiúza.

Foi esse histórico que voltou ao centro do debate eleitoral nesta quinta-feira. Taques utilizou a decisão do TRE-MT para sustentar sua acusação contra o adversário, enquanto Medeiros insistiu que não falsificou o documento e questionou a responsabilidade da própria coligação que apoiava Taques na elaboração da ata.

O embate terminou com novas acusações entre os dois candidatos. Medeiros chamou Taques de “caluniador” e “estelionatário” e também fez referência a acusações envolvendo a trajetória política do ex-governador. Taques, por sua vez, afirmou que pretende chegar ao Senado sem ficar subordinado a uma liderança política nacional e disse que quer representar diretamente os interesses de Mato Grosso.

A retomada da disputa sobre a ata de 2010 ocorre durante a campanha eleitoral de 2026, em um momento em que Taques e Medeiros disputam uma das vagas de Mato Grosso ao Senado. Embora o episódio judicial continue sendo utilizado politicamente pelos candidatos, o histórico completo mostra que houve reconhecimento de fraude pelo TRE-MT, cassação em 2018 e posterior reversão da medida no Tribunal Superior Eleitoral.

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