O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que as apostas online, conhecidas como bets, sejam tratadas pelo governo como um grave problema de saúde pública, em uma abordagem semelhante à adotada pelo Brasil no combate ao tabagismo. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, após uma reunião do governo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a questão das apostas.
Padilha afirmou que o Ministério da Saúde levou essa posição ao encontro com Lula e defendeu o estabelecimento de medidas de regulação para reduzir os impactos relacionados à dependência das apostas. Entre as propostas apresentadas pelo ministro estão limitações à publicidade das bets, incluindo restrições aos horários de veiculação e à exposição de crianças e jovens, além de regras para impedir ou reduzir a associação entre apostas e o esporte.
Na avaliação do ministro, a experiência brasileira no enfrentamento da publicidade de cigarros pode servir como referência para a criação de políticas voltadas às apostas. “Eu defendo que a gente tenha que tratar esse tema como a gente tratou com o tabaco”, afirmou Padilha ao defender que informações da área da saúde sejam utilizadas para aperfeiçoar a regulação do setor.
O governo também já dispõe de mecanismos específicos para pessoas que desejam interromper o acesso às plataformas de apostas. Segundo Padilha, mais de 1,2 milhão de brasileiros utilizaram a plataforma de autoexclusão criada pelos Ministérios da Saúde e da Fazenda. Mais da metade dos usuários indicou problemas relacionados à saúde mental provocados pelo descontrole com os jogos.
Além da possibilidade de autoexclusão, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar pelo Meu SUS Digital um autoteste padronizado para identificar problemas relacionados às apostas. A ferramenta é acompanhada da possibilidade de teleatendimento com psicólogos, serviço que pode ser procurado tanto pelos próprios apostadores que identificam sinais de compulsão quanto por familiares afetados pela situação.
Padilha também chamou atenção para os efeitos das apostas sobre as famílias. Segundo o ministro, embora os estudos apontem maior incidência de compulsão por bets entre homens, a maioria dos pedidos de atendimento psicológico é feita por mulheres. Para ele, o dado demonstra que os efeitos do comportamento compulsivo não ficam restritos à pessoa que aposta e podem alcançar as relações familiares, as finanças e as responsabilidades de cuidado.
A posição do Ministério da Saúde acompanha uma mudança na forma como o governo passou a abordar os problemas relacionados aos jogos de apostas. Documento oficial da pasta estabelece que essas situações devem ser compreendidas como questões de saúde pública e prevê respostas integradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo prevenção, identificação de problemas e atendimento às pessoas afetadas.
A discussão ocorre em paralelo à regulamentação do mercado de apostas no país e à preocupação crescente das autoridades com os impactos financeiros e psicológicos do jogo descontrolado. A defesa de restrições à publicidade, especialmente diante da exposição de crianças e jovens e da associação das bets com o esporte, deverá integrar o debate do governo sobre novas medidas para o setor.














