O avanço da tecnologia, da inteligência artificial e do uso de dados está mudando a rotina da advocacia e criando novas funções dentro do mercado jurídico. Em vez de concentrar sua atuação apenas na elaboração de petições e no acompanhamento de processos, parte dos profissionais passou a trabalhar com automação, análise de informações e organização de fluxos internos de escritórios e departamentos jurídicos.
Entre as novas funções que ganharam espaço estão as de engenheiro jurídico, analista de dados jurídicos e especialista em Legal Operations, conhecido como Legal Ops. Esses profissionais trabalham na criação e aperfeiçoamento de processos automatizados, na análise de padrões de decisões judiciais e na utilização de dados para tornar a gestão jurídica mais eficiente.
A transformação ocorre em um momento em que o próprio sistema de Justiça discute os impactos da inteligência artificial e das novas tecnologias. Em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso promoveu o FestLabs Cuiabá, evento que colocou em debate temas como inovação, agentes de inteligência artificial, governança e integração entre pessoas e dados. As discussões reforçaram que o avanço tecnológico exige novas competências, mas não elimina a importância da atuação humana.
No ambiente da advocacia, a mudança também altera o perfil dos profissionais procurados pelo mercado. O conhecimento jurídico continua sendo fundamental, mas passa a ser combinado com domínio de tecnologia, interpretação de dados, gestão e capacidade de estruturar soluções para tarefas que antes eram realizadas manualmente.
A tendência acompanha uma transformação mais ampla do setor jurídico brasileiro, que há anos incorpora processos eletrônicos, ferramentas digitais e sistemas de automação. Em Mato Grosso, a OAB-MT e o Tribunal de Justiça já vêm adotando e debatendo soluções tecnológicas, mostrando que a digitalização deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a fazer parte da própria organização do trabalho jurídico.
Com esse cenário, a advocacia passa a contar com profissionais que atuam além dos tribunais e dos escritórios tradicionais. A combinação entre conhecimento jurídico, tecnologia e análise de dados tende a ampliar as possibilidades de carreira e, ao mesmo tempo, exige atualização constante de quem pretende acompanhar as mudanças provocadas pela transformação digital no setor.













