A Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso investiga três magistrados por decisões que teriam beneficiado a juíza Maria das Graças Gomes da Costa e o marido dela, Antenor Alberto de Matos Salomão. A apuração ocorre sob sigilo e busca esclarecer se houve favorecimento indevido em processos relacionados ao casal. Os nomes dos três juízes não foram divulgados.
A investigação veio à tona nesta sexta-feira (28), um dia após o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidir pela aposentadoria compulsória de Maria das Graças. A magistrada, que atuava na Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis, foi punida por maioria de 10 votos a 5, após a análise de um Processo Administrativo Disciplinar que também tramitou em sigilo.
O caso envolve processos relacionados principalmente à guarda da filha de Antenor com a bancária Leidiane Souza Lima, de 34 anos, assassinada a tiros em 27 de janeiro de 2023, em Rondonópolis. Antenor é acusado de cometer o feminicídio e permanece preso na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa. O processo criminal teve desdobramentos recentes no Tribunal de Justiça e no Superior Tribunal de Justiça.
As suspeitas contra Maria das Graças incluem possível conhecimento prévio ou posterior sobre o assassinato e suposta atuação para favorecer o marido em questões relacionadas à guarda da criança. Entre os elementos citados pelo Ministério Público de Mato Grosso estão registros de ligações feitas por Antenor para a magistrada logo após o crime. O órgão também apontou a possibilidade de um suposto conluio envolvendo a disputa pela guarda da filha.
A existência da investigação contra os três magistrados, porém, não significa que eles tenham cometido irregularidades. A Corregedoria deverá analisar as decisões e verificar se foram tomadas de acordo com a legislação e com os deveres funcionais da magistratura. Até o momento, não foram divulgados os nomes dos investigados, o conteúdo integral das decisões questionadas ou eventuais manifestações de defesa.
A defesa de Maria das Graças informou que pretende recorrer da aposentadoria compulsória. Os advogados afirmaram que cinco desembargadores votaram pela absolvição da magistrada e sustentaram que as acusações não teriam sido comprovadas com segurança suficiente para justificar a punição.
A decisão do TJMT ainda será submetida ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O procedimento deverá ser analisado à luz das novas regras disciplinares aprovadas pelo Conselho em agosto de 2026. Enquanto isso, a investigação sobre os três magistrados permanece em andamento e sob sigilo.













