As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram 90% da cota anual que pode entrar no mercado chinês sem a aplicação de uma sobretaxa. O marco foi alcançado em 10 de agosto de 2026, segundo informações do Ministério do Comércio da China citadas pelo Feed&Food. O limite estabelecido para o Brasil neste ano é de 1,106 milhão de toneladas.
A cota de 2026 representa uma redução de aproximadamente 35% em relação às 1,70 milhão de toneladas de carne bovina brasileira enviadas à China em 2025. O ritmo de utilização também acelerou: o país havia alcançado 80% do limite em 21 de julho e chegou a 90% em menos de três semanas, aumentando a preocupação da indústria com a possibilidade de esgotamento da cota antes do fim do ano.
Quando os 100% da cota forem atingidos, as regras chinesas preveem a aplicação de uma tarifa adicional de 55%, três dias depois do esgotamento do limite. Essa cobrança se somaria ao imposto de importação de 12% e à taxa interna chinesa de 9%, elevando significativamente a tributação incidente sobre a carne bovina brasileira.
O cenário já provoca mudanças nas estratégias dos frigoríficos brasileiros. Segundo a publicação, algumas empresas adotaram redução de turnos, férias coletivas e suspensão de contratos para adequar a produção e as exportações diante do risco de aumento dos custos para acessar o mercado chinês. A China é um dos principais destinos da carne bovina produzida no Brasil.
O avanço da utilização da cota transforma o calendário de embarques em um dos principais pontos de atenção para o setor no segundo semestre. Caso o limite seja alcançado, empresas terão de avaliar a viabilidade econômica dos embarques submetidos à nova tributação e buscar alternativas para a comercialização da produção.
Além da carne bovina, a página do Feed&Food destaca nesta quinta-feira que a demanda por tilápia enfraqueceu em julho, pressionando os preços, enquanto o SIAVS 2026 projeta US$ 312 milhões em exportações para agroindústrias brasileiras a partir dos negócios iniciados durante o evento. A publicação também informa que as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 12,2% no acumulado do ano.
No crédito rural, outro destaque recente é o volume de R$ 28,2 bilhões contratado por empresas no início da safra 2026/27. Segundo a página, as Cédulas de Produto Rural (CPR) concentraram 66,6% do volume contratado em julho, enquanto os recursos equalizáveis começaram a ser liberados para o novo ciclo agrícola.
Entre as informações de mercado também aparece a preocupação com as condições climáticas nos Estados Unidos e seus efeitos sobre a soja, enquanto a oferta pressiona o milho brasileiro. No setor empresarial, a JBS anunciou Wesley Batista Filho como CEO global a partir de 2027, com Gilberto Tomazoni passando à posição de vice-chairman após o período de transição.












