Haddad relata perseguição da PM e governo de SP determina investigação

Brasília (DF), 28/08/2025 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista coletiva para detalhar duas operações da Polícia Federal para combater a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) relatou nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, ter sido alvo de uma abordagem policial que classificou como “fora do padrão” na noite anterior, na zona sul da capital paulista. Segundo o ex-ministro, uma viatura da Polícia Militar acompanhou o veículo em que ele estava até sua residência, por volta das 22h30, e posteriormente teria seguido seu motorista de maneira ostensiva. O episódio levou a Secretaria da Segurança Pública a determinar a identificação das equipes envolvidas e a apuração das circunstâncias.

Haddad afirmou que inicialmente não considerou anormal a presença da viatura. Segundo seu relato, quando chegava em casa, os policiais teriam lançado uma luz para dentro do veículo, mas não fizeram uma abordagem formal nem pediram documentos. A situação teria mudado depois que o motorista deixou a residência e passou a ser acompanhado pela viatura. De acordo com Haddad, o veículo policial teria emparelhado com o carro, se aproximado do para-choque traseiro e permanecido no acompanhamento durante parte do trajeto.

O motorista, segundo o relato apresentado pela campanha, ficou abalado com a situação e decidiu parar em um hotel na região da Vila Mariana para tentar descobrir o motivo da perseguição. O advogado Hélio Silveira afirmou que, ao procurar os policiais, o motorista teria perguntado se havia algum problema e recebido como resposta a expressão “Vaza daqui”. Segundo a campanha, o acompanhamento teria durado cerca de 40 minutos e os policiais portavam fuzis.

Haddad disse que decidiu tornar o episódio público porque considerou que a atuação não correspondeu a uma abordagem policial convencional. “Não foi uma abordagem padrão. Então, precisa informar”, afirmou o candidato durante entrevista coletiva após participar de uma sabatina promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo. Ele também declarou esperar que tenha ocorrido apenas uma confusão e que o episódio não tenha relação com sua condição de candidato ao governo estadual.

A reação do governo paulista ocorreu ainda na quarta-feira. A Secretaria da Segurança Pública informou que o secretário Osvaldo Nico Gonçalves entrou em contato com Haddad para obter informações adicionais sobre o trajeto e determinou à Polícia Militar a identificação das equipes que estiveram ou passaram pela região no período mencionado. A pasta afirmou que qualquer eventual desvio de conduta será investigado.

Ao mesmo tempo, uma explicação preliminar apresentada por fontes policiais aponta que havia uma ocorrência em andamento na região do Planalto Paulista, nas proximidades do Aeroporto de Congonhas, e que os policiais teriam desconfiado de um carro parado em frente a uma residência. Segundo essa versão, a atuação não teria ocorrido por causa da residência de Haddad ou da identidade do candidato. Essa hipótese ainda deverá ser confrontada com a identificação das equipes e com os demais elementos da investigação.

O caso ganhou peso político por ocorrer durante a campanha para o governo de São Paulo, que coloca Haddad como um dos principais adversários do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador determinou a apuração do episódio e afirmou que eventual desvio de conduta deverá ser investigado. Até o momento desta atualização, não havia conclusão oficial sobre a motivação da atuação policial nem confirmação de que os agentes tenham agido de forma irregular.

A investigação deverá esclarecer quais viaturas estavam na região, qual ocorrência policial estava sendo atendida naquela noite e por que o veículo que transportava o motorista de Haddad teria sido acompanhado.

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