A Justiça decidiu manter as prisões dos suspeitos investigados na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A ação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos que teria movimentado mais de R$ 27 milhões por meio de contratos envolvendo a compra de livros paradidáticos e outras frentes de atuação na administração pública.
A operação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). Entre os locais alvos das diligências estão Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho. Segundo o Gaeco, a investigação identificou uma organização criminosa formada por empresários e servidores públicos suspeita de fraudar procedimentos de compras e direcionar contratos.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava contratações diretas por inexigibilidade de licitação para aquisição de livros paradidáticos. O Ministério Público afirma que os valores pagos pelos cofres públicos ultrapassam R$ 27 milhões e que os recursos seriam distribuídos entre integrantes da organização, servidores supostamente corrompidos e outras pessoas físicas e jurídicas usadas para ocultar a origem do dinheiro.
Um dos pontos investigados pelo Gaeco envolve contratos firmados por 12 prefeituras de Mato Grosso do Sul com a empresa Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, também chamada de Editora Avante. Segundo levantamento, os contratos realizados entre 2022 e 2026 somam R$ 22,1 milhões e foram feitos sem licitação para aquisição de materiais paradidáticos e kits pedagógicos.
Além da área da educação, a investigação aponta uma possível atuação do grupo dentro da saúde pública. Conforme o Gaeco, servidores cooptados poderiam ter utilizado influência sobre serviços como autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais para pressionar gestores a adquirir os materiais vendidos pelos investigados. (Ministério Público MS)
O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, conhecido pela popularização da imprensa com tipos móveis. Segundo o Ministério Público, a escolha representa um contraste entre a importância histórica dos livros para a disseminação do conhecimento e a suspeita de que materiais impressos teriam sido usados como instrumento para dar aparência de legalidade a contratos sob investigação. (Ministério Público MS)












