Um levantamento divulgado pelo observatório “De Olho nos Ruralistas” aponta que 40 artistas e bandas receberam R$ 3,08 bilhões em cachês pagos por prefeituras e governos estaduais entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. O estudo analisou contratos de apresentações financiadas com recursos públicos e identificou uma concentração dos valores em um grupo restrito de nomes do mercado musical.
Segundo o levantamento, os contratos analisados fazem parte do relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”. A pesquisa avaliou mais de 20 mil contratos e apontou que, dos R$ 3,08 bilhões recebidos pelos 40 artistas com maiores valores, R$ 1,78 bilhão ficou concentrado em apenas 20 nomes ligados a cinco produtoras.
O estudo também revelou que o valor movimentado pelo grupo de artistas se aproxima do orçamento anual previsto para o Ministério da Cultura em 2026, estimado em R$ 3,26 bilhões. Entre os artistas que aparecem no topo da lista estão Natanzinho Lima, com R$ 158,1 milhões em contratos, Henry Freitas, com R$ 125,9 milhões, e Wesley Safadão, com R$ 113,3 milhões, segundo os dados apresentados pelo levantamento.
Além da concentração financeira, o relatório apontou relações entre artistas, produtoras, política, agronegócio e empresas de apostas. A análise identificou ainda que diferentes estilos musicais aparecem entre os maiores beneficiados pelos contratos públicos, com destaque para artistas ligados ao forró, piseiro, sertanejo e outros gêneros populares.
O levantamento reacendeu o debate sobre os critérios utilizados por prefeituras e governos estaduais para contratar grandes atrações musicais. Parte dos contratos é realizada por contratação direta, quando a legislação permite esse tipo de procedimento, mas os valores pagos e a concentração dos recursos passaram a ser questionados por especialistas e setores que defendem maior transparência no uso do dinheiro público.
Os dados apresentados não apontam irregularidade automática nos contratos, mas mostram a dimensão dos recursos destinados a shows públicos nos últimos anos. A discussão envolve a relação entre investimentos em eventos culturais, prioridades orçamentárias dos governos e mecanismos de fiscalização sobre gastos realizados por administrações municipais e estaduais.













