A Comissão de Ética do Corinthians emitiu parecer favorável à abertura do processo de impeachment contra o presidente Osmar Stábile. Com a decisão, o dirigente terá prazo de 10 dias para apresentar sua defesa antes que o caso seja encaminhado ao Conselho Deliberativo.
O pedido de impeachment foi protocolado em abril por um grupo de conselheiros e sócios do clube. O principal argumento apresentado pelos autores da solicitação é uma suposta oneração irregular do Parque São Jorge.
Acordo polêmico
Em janeiro de 2026, o Corinthians firmou um acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para regularizar uma dívida estimada em R$ 1,2 bilhão. Como garantia do pagamento, a diretoria ofereceu o conjunto de imóveis que compõem a sede social do clube, avaliado em R$ 602,2 milhões.
Os signatários do pedido alegam que a medida contrariou o Artigo 3º do Estatuto Social do Corinthians, que prevê a aprovação de pelo menos dois terços dos conselheiros em reunião convocada especificamente para esse fim. Segundo o documento, esse procedimento não teria sido realizado.
Além da questão envolvendo o patrimônio do clube, o pedido aponta suposta falta de transparência e descumprimento de deveres de gestão por parte da atual diretoria. Entre os temas citados estão a ausência de respostas a requerimentos formais relacionados à manutenção da Neo Química Arena, à troca da administradora do fundo do estádio e à política de distribuição de ingressos.
O documento também menciona declarações feitas pelo próprio presidente sobre a existência de “funcionários fantasmas” na folha de pagamento do Corinthians. Para os autores do pedido, a situação pode indicar problemas na gestão de recursos do clube.
Outro ponto destacado é o atraso na divulgação do balanço financeiro referente ao exercício de 2025. De acordo com as fontes citadas pelos conselheiros, o documento deveria ter sido publicado até o fim de março de 2026, conforme previsão da Lei das S.A. e do Estatuto Social. A ausência da prestação de contas, segundo o grupo, dificulta a fiscalização por parte dos órgãos internos e dos associados.
Três ex-presidentes desligados do clube
O processo contra Osmar Stábile ocorre em meio a uma sequência de decisões envolvendo dirigentes e ex-dirigentes do Corinthians. Em 25 de maio, o ex-presidente Andres Sánchez foi expulso após votação do Conselho Deliberativo por uso indevido do cartão corporativo do clube em despesas particulares.
Dias depois, em 29 de maio, o ex-presidente Duílio Monteiro Alves renunciou ao título de sócio remido e deixou os cargos que ocupava nos órgãos internos do Corinthians.
Nesta segunda-feira, 1º de junho, o Conselho Deliberativo volta a se reunir para analisar a expulsão do ex-presidente Augusto Melo. O processo está relacionado à tentativa de mudança no comando político do clube em junho de 2025, episódio classificado por opositores como uma tentativa de golpe.
Augusto Melo já havia sido afastado da presidência após sofrer impeachment motivado por acusações de irregularidades em contrato de patrocínio e por supostas infrações à Lei Geral do Esporte e ao estatuto corintiano.
Fonte: Band













