A crise econômica na Argentina continua produzindo cenas de longas filas por vagas de emprego, especialmente na região da Grande Buenos Aires, em meio ao duro ajuste fiscal implementado pelo governo de Javier Milei. Imagens recentes de centenas de pessoas disputando oportunidades em frigoríficos e indústrias ganharam repercussão internacional e passaram a simbolizar o impacto social da recessão enfrentada pelo país desde 2025.
Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC) apontam que a taxa de desemprego chegou a 7,5% no fim de 2025, acima dos 6,4% registrados no mesmo período do ano anterior. Outros levantamentos indicam que o índice oscilou entre 7,5% e 8,5% nos primeiros meses de 2026, refletindo a desaceleração econômica e a retração de setores produtivos.
Apesar do aumento do desemprego, o governo argentino sustenta que o ajuste era necessário para conter o colapso econômico herdado de gestões anteriores. A equipe econômica de Milei aponta como principais avanços a forte desaceleração da inflação, a recuperação das reservas internacionais e a obtenção de superávit fiscal. Relatórios econômicos mostram que a inflação anual, que ultrapassou 200% durante a crise, caiu significativamente ao longo de 2025 e segue em trajetória de desaceleração em 2026.
Mesmo com a melhora dos indicadores macroeconômicos, o impacto social segue intenso. A indústria argentina enfrenta forte retração e milhares de empresas encerraram atividades desde o início das reformas liberais. Segundo reportagem da Reuters, mais de 24 mil empresas fecharam as portas entre o fim de 2023 e janeiro de 2026. O setor de autopeças sozinho perdeu cerca de 5 mil empregos em 2025, enquanto a produção industrial registrou queda superior a 20% em alguns segmentos.
A abertura econômica promovida por Milei também aumentou a pressão sobre fabricantes locais. A flexibilização das importações e a valorização do peso argentino ampliaram a entrada de produtos estrangeiros, principalmente chineses, reduzindo a competitividade da indústria nacional. Empresas tradicionais passaram a operar abaixo da capacidade e algumas multinacionais encerraram operações no país.
Críticos do governo, principalmente ligados ao peronismo e partidos de esquerda, afirmam que o chamado “choque liberal” aprofundou a recessão, reduziu o consumo e ampliou a pobreza e o desemprego. Já aliados do presidente defendem que o país atravessa um período de transição doloroso, mas necessário para estabilizar a economia depois de décadas de inflação crônica e déficits públicos elevados.
Mesmo diante do cenário econômico difícil, Javier Milei continua mantendo apoio relevante da população. Pesquisas divulgadas nos últimos meses mostram índices de aprovação variando entre 36% e mais de 50%, dependendo do instituto consultado. Analistas apontam que boa parte da sustentação política do presidente vem da percepção de que o governo conseguiu controlar a hiperinflação e reorganizar as contas públicas, ainda que o custo social das medidas continue elevado.













