A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entregou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) os anexos da proposta de delação premiada ligada ao escândalo investigado pela Operação Compliance Zero. O material foi encaminhado entre os dias 5 e 6 de maio de 2026, armazenado em um pen drive contendo documentos, provas e relatos detalhados sobre supostos esquemas envolvendo o sistema financeiro e agentes políticos.
Segundo informações divulgadas por veículos nacionais, os anexos estão organizados por “personagens” e trazem descrições minuciosas de reuniões, viagens, festas, encontros e articulações políticas. Entre os elementos citados estariam datas, horários, cidades e registros documentais utilizados para sustentar os relatos. A colaboração incluiria políticos de diferentes espectros ideológicos, com maior incidência de nomes ligados ao Centrão. De acordo com fontes ligadas às investigações, atuais pré-candidatos à Presidência da República não aparecem diretamente na delação, embora um ex-candidato inelegível deva ser mencionado.
As investigações também apontam para a existência de eventos de luxo financiados por Vorcaro, incluindo festas com modelos, uso de jatinhos e hospedagens em hotéis de alto padrão no Brasil e no exterior. Entre os destinos citados estão Trancoso, Londres, Nova York e Lisboa. Os gastos relatados estariam na casa de dezenas de milhões de reais e teriam sido usados como estratégia de aproximação com integrantes da elite política e empresarial.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026, após nova ordem de prisão expedida no âmbito da Operação Compliance Zero. Desde meados de março, ele permanece na Superintendência da Polícia Federal em Brasília para facilitar as negociações da colaboração premiada. Seu cunhado, Fabiano Zettel, também segue preso. O caso investiga fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, pagamento de propina, falsificação de documentos e uma suposta rede de influência que envolveria autoridades públicas e até grupos usados para intimidar adversários e críticos do esquema.
A análise do material entregue deve durar semanas e poderá se estender por até dois meses. Polícia Federal e PGR devem confrontar os relatos com provas já reunidas ao longo das investigações, podendo solicitar complementações antes do envio ao Supremo Tribunal Federal. O relator do caso, ministro André Mendonça, será responsável por avaliar eventual homologação da delação. Nos bastidores, integrantes do STF já sinalizaram que a devolução efetiva de valores desviados será condição essencial para validar o acordo.
As revelações de Vorcaro podem ampliar ainda mais o alcance político da investigação. Mensagens e contatos obtidos em apurações anteriores já citavam autoridades como Hugo Motta, Davi Alcolumbre, Ciro Nogueira, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Agora, investigadores esperam que a delação apresente novas provas, documentos e conexões capazes de sustentar futuras ações penais e abrir novos inquéritos. O caso continua em rápida evolução e é tratado como uma das crises mais sensíveis envolvendo o sistema financeiro e a classe política nos últimos anos.













