O Senado da Argentina aprovou na madrugada de quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, a polêmica reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, em uma sessão marcada por intensos debates e forte presença de manifestantes nas ruas. A aprovação desencadeou protestos em Buenos Aires e outras cidades, com confrontos entre trabalhadores e forças de segurança, em atos que deixaram centenas de feridos.
Entre os principais pontos da reforma está o aumento da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, com o estabelecimento do banco de horas, no qual o empregador decide quando o trabalhador poderá usar o tempo como folga ou jornada reduzida. Além disso, a proposta cria o chamado salário dinâmico, permitindo que os vencimentos variem conforme a produtividade, podendo ser menores ou maiores de um mês para outro.
A reforma também prevê descontos em dias não trabalhados por afastamento por motivo de saúde, o fracionamento das férias a critério do patrão e a eliminação da indenização por demissão. Segundo críticos, essas medidas aumentam a vulnerabilidade dos trabalhadores e estimulam demissões, inclusive para recontratação sob as novas regras. O direito de greve também é restringido, reforçando a concentração de poder nas mãos dos empregadores.
Apesar das críticas e da repressão aos protestos, o governo argentino defende a reforma como necessária para modernizar o mercado de trabalho, estimular a produtividade e reduzir a informalidade. Sindicatos e movimentos sociais, no entanto, consideram as mudanças um retrocesso histórico, alertando que os trabalhadores passam a depender totalmente da decisão do empregador, perdendo direitos conquistados ao longo de décadas.











