A tradicional camisa amarela da seleção colombiana de futebol, símbolo histórico de união nacional e paixão esportiva, tornou-se o centro de uma intensa disputa política na Colômbia às vésperas da Copa do Mundo de 2026 e do segundo turno das eleições presidenciais. O uniforme passou a ser utilizado pelo candidato de direita Abelardo de la Espriella e seus apoiadores como marca visual da campanha, gerando críticas de adversários e abrindo um debate sobre a apropriação de símbolos nacionais para fins eleitorais.
A polêmica ganhou força após o primeiro turno presidencial, realizado em 31 de maio. De la Espriella surpreendeu ao liderar a votação com cerca de 43,7% dos votos e apareceu em seus atos públicos vestindo a camisa da seleção colombiana. Centenas de apoiadores repetiram o gesto durante a votação e nas comemorações do resultado, consolidando a imagem do uniforme como um dos principais símbolos de sua campanha.
O principal adversário do candidato conservador, o senador de esquerda Iván Cepeda, reagiu duramente. Segundo ele, a camisa da seleção pertence a todos os colombianos e não deveria ser transformada em ferramenta de propaganda eleitoral. Cepeda acusou o rival de se apropriar de um patrimônio nacional para obter ganhos políticos e alertou para os riscos de associar um símbolo esportivo a uma única corrente ideológica.
Analistas políticos e veículos internacionais têm comparado o fenômeno ao que ocorreu no Brasil durante a ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Assim como a camisa amarela da Seleção Brasileira passou a ser fortemente associada ao movimento conservador brasileiro, a camisa da Colômbia estaria seguindo caminho semelhante. A comparação aparece tanto em análises da imprensa internacional quanto nos discursos dos próprios adversários políticos colombianos.
A controvérsia chegou também ao futebol. A Federação Colombiana de Futebol lamentou a politização do uniforme, mas esclareceu que não possui mecanismos legais para impedir que cidadãos utilizem a camisa em manifestações políticas ou eventos eleitorais. A entidade reforçou apenas o desejo de que a seleção e seus símbolos permaneçam vinculados ao esporte e à união nacional.
O debate ocorre em um momento particularmente simbólico para o país. A seleção colombiana fará sua estreia na Copa do Mundo de 2026 poucos dias antes do segundo turno presidencial, marcado para 21 de junho. Com isso, futebol e política passaram a caminhar lado a lado em uma das eleições mais polarizadas da história recente da Colômbia, transformando um dos maiores símbolos esportivos do país em peça central da disputa pelo poder.













