O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 02-02, que o Departamento de Justiça do país deveria concentrar seus esforços em outras prioridades após a divulgação de uma ampla coleção de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. A declaração foi feita a repórteres depois que as autoridades tornaram públicos milhões de arquivos ligados às investigações sobre o escândalo sexual envolvendo o financista.
Segundo Trump, a dimensão do material divulgado sugere um foco excessivo no caso. Ele citou a publicação de cerca de três milhões de páginas e avaliou que o Departamento de Justiça deveria reconhecer que há outros assuntos relevantes a serem tratados.
Na semana anterior, o Departamento de Justiça anunciou a liberação de mais de três milhões de páginas de arquivos relacionados às investigações conduzidas contra Epstein. O vice-procurador-geral, Todd Blanche, afirmou que a análise do material já foi concluída e ressaltou que a Casa Branca não exerceu qualquer tipo de supervisão sobre o processo.
Conhecidos como “Arquivos de Epstein”, os documentos reúnem mais de 300 gigabytes de dados, incluindo registros, vídeos, fotografias e áudios armazenados no sistema eletrônico de gerenciamento de casos do FBI. O material contém relatórios de investigação e documentos produzidos tanto na apuração inicial conduzida pelo FBI em Miami quanto na investigação posterior realizada em Nova York.
Entre os registros estão memorandos internos, informações sobre possíveis alvos, locais de busca, solicitações de intimação e centenas de formulários usados por agentes federais para registrar depoimentos de testemunhas, vítimas e suspeitos.
Jeffrey Epstein, natural de Nova York, iniciou sua carreira como professor antes de ingressar no setor financeiro. Ele trabalhou no banco de investimentos Bear Stearns e, em 1982, fundou sua própria empresa, voltada exclusivamente para clientes com patrimônio superior a um bilhão de dólares. Ao longo dos anos, acumulou propriedades em diferentes países, incluindo uma ilha particular no Caribe, e passou a conviver com figuras influentes do cenário político e econômico internacional.
As primeiras denúncias vieram a público em 2005, quando adolescentes relataram que Epstein oferecia dinheiro em troca de massagens ou atos sexuais em sua mansão na Flórida. Anos depois, depoimentos de um grande júri indicaram acusações de estupro envolvendo meninas de até 14 anos. À época, Epstein firmou um acordo judicial que lhe permitiu cumprir pena por crimes estaduais e evitar acusações federais.
Novas denúncias surgiram em 2018, levando o Departamento de Justiça a reabrir as investigações. Em 2019, Epstein foi acusado em Nova York por tráfico sexual de menores e se declarou inocente. No entanto, em agosto daquele ano, ele foi encontrado morto em sua cela em um centro de detenção federal. As autoridades concluíram que a causa da morte foi suicídio.












