Brasil reforça vacinação contra sarampo após avanço da doença nas Américas

O Ministério da Saúde reforçou as ações de vigilância e vacinação contra o sarampo diante do avanço da doença nos Estados Unidos e em outros países das Américas. O alerta foi divulgado em 6 de outubro de 2026, em meio ao maior número anual de casos registrados nos Estados Unidos em mais de 35 anos. Segundo o ministério, mais de 90% dos casos norte-americanos envolvem pessoas não vacinadas ou sem informação sobre a situação vacinal, com predominância de pacientes de até 19 anos.

Até 5 de outubro, o Brasil havia registrado 52 casos de sarampo em 2026, sendo 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro. As autoridades mantêm busca ativa de casos, investigação epidemiológica, monitoramento de contatos e bloqueio vacinal para evitar que casos importados provoquem cadeias de transmissão sustentada. As ações também foram ampliadas em locais públicos e áreas de grande circulação.

Apesar dos registros, o Ministério da Saúde afirma que o Brasil continua livre da circulação endêmica do sarampo. O país perdeu essa certificação em 2019, após mais de 12 meses de transmissão, mas voltou a ser reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde como livre da circulação endêmica em novembro de 2024. Entre 2023 e 2025, foram confirmados 85 casos no país, sem registro de mortes.

A situação internacional, entretanto, aumentou a preocupação das autoridades sanitárias. A Organização Pan-Americana da Saúde informou em agosto que as Américas haviam registrado o maior número de casos de sarampo em 22 anos. Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentravam mais de 95% dos casos confirmados na região em 2026. Nos Estados Unidos, o quadro se agravou nos últimos dias: a Pensilvânia ultrapassou mil casos e registrou cinco mortes, enquanto o estado de Nova York declarou emergência após contabilizar 108 casos neste ano.

No Brasil, a resposta inclui reforço da vacinação em São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André, além de ações na região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Em algumas situações, as autoridades utilizam a chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, que é adicional às doses previstas no calendário de rotina aos 12 e 15 meses.

A cobertura vacinal também é considerada fundamental para impedir o retorno da transmissão sustentada. Em 2025, a cobertura da primeira dose da tríplice viral chegou a 93,10% no Brasil, 94,39% em São Paulo e 89,54% no Amazonas. O Ministério da Saúde informa que mais de 3,8 milhões de doses foram aplicadas em São Paulo e aproximadamente 192 mil no Amazonas em mobilizações realizadas neste ano.

Diante do cenário internacional, a orientação das autoridades é que pessoas com doses atrasadas procurem uma unidade do Sistema Único de Saúde para atualizar a caderneta. A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo SUS, e a manutenção de altas coberturas vacinais, aliada à vigilância epidemiológica, é considerada a principal estratégia para impedir que casos importados voltem a estabelecer a circulação sustentada do vírus no país.

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