Anvisa aprova Wegovy em comprimido e amplia tratamento da obesidade no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, o registro da versão oral do Wegovy, medicamento à base de semaglutida utilizado no tratamento da obesidade. A autorização permite que o produto seja comercializado no Brasil também em comprimidos, ampliando as possibilidades de tratamento para adultos que convivem com a obesidade ou com sobrepeso associado a problemas de saúde. Até então, o Wegovy estava disponível no mercado brasileiro na apresentação injetável, administrada por meio de caneta.

A decisão foi formalizada pela Resolução-RE nº 4.249, de 28 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 4 de novembro. O registro contempla comprimidos nas concentrações de 1,5 mg, 4 mg, 9 mg e 25 mg, permitindo o aumento progressivo da dosagem durante o tratamento. O princípio ativo é a semaglutida, substância que atua nos receptores do GLP-1, hormônio relacionado à regulação do apetite, à saciedade e à ingestão de alimentos.

A indicação aprovada contempla adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², classificação correspondente à obesidade, e pessoas com IMC a partir de 27 kg/m² que apresentem pelo menos uma comorbidade relacionada ao excesso de peso. Entre as condições associadas estão hipertensão, alterações nos níveis de colesterol, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O medicamento deve ser utilizado como complemento a uma alimentação com redução de calorias e ao aumento da atividade física, conforme orientação médica.

A administração da versão oral exige cuidados específicos. O comprimido deve ser tomado diariamente em jejum, com pequena quantidade de água, respeitando um intervalo mínimo de 30 minutos antes da ingestão de alimentos, bebidas ou outros medicamentos. A dosagem começa em concentrações menores e aumenta gradualmente até a dose de manutenção de 25 mg, de acordo com o esquema terapêutico e as orientações da bula. A mudança de apresentação representa uma alternativa para pacientes que preferem não utilizar medicamentos por meio de injeções, mas não significa que o tratamento seja indicado indistintamente para todas as pessoas.

A aprovação brasileira foi fundamentada principalmente nos resultados do estudo clínico de fase 3 OASIS 4, que avaliou a eficácia e a segurança da semaglutida oral em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde. A pesquisa teve duração de 64 semanas e demonstrou perda média de peso superior a 13% entre os participantes que receberam a dose de 25 mg, considerando a análise que contempla os participantes independentemente da continuidade integral do tratamento. Nas análises que consideraram a permanência dos pacientes no tratamento, a redução média chegou a aproximadamente 16,6%.

Os resultados também apontaram melhorias em indicadores relacionados à saúde metabólica, reforçando o potencial da semaglutida no tratamento da obesidade. Entretanto, assim como ocorre com a apresentação injetável, a versão em comprimidos pode provocar efeitos adversos. Entre os mais relatados nos estudos estão náuseas, vômitos, diarreia e constipação, principalmente durante o período de adaptação e aumento das doses. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar a resposta ao medicamento, a tolerabilidade e a necessidade de ajustes no tratamento.

A Novo Nordisk, fabricante do Wegovy, havia protocolado o pedido de aprovação da apresentação oral junto à Anvisa em 30 de janeiro de 2026. A solicitação foi baseada no programa de pesquisas clínicas OASIS, especialmente no estudo OASIS 4. A empresa já havia informado que a nova formulação tinha como objetivo ampliar as alternativas terapêuticas para pessoas que necessitam de tratamento de longo prazo contra a obesidade, incluindo pacientes que apresentam dificuldades ou resistência ao uso de medicamentos injetáveis.

A aprovação também representa uma nova etapa na utilização dos medicamentos da classe GLP-1 no Brasil. A semaglutida já é conhecida no país por estar presente em medicamentos como Wegovy e Ozempic, na apresentação injetável, e Rybelsus, na apresentação oral indicada para diabetes tipo 2. Apesar de utilizarem o mesmo princípio ativo, esses produtos possuem indicações, concentrações e esquemas de administração diferentes, não devendo ser substituídos uns pelos outros sem avaliação profissional.

A autorização do registro não significa que os comprimidos estejam imediatamente disponíveis em todas as farmácias. A comercialização depende da organização da distribuição e das demais etapas necessárias para a chegada do produto ao mercado. Também não há garantia de incorporação automática ao Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que a disponibilização na rede pública depende de avaliação específica e dos procedimentos administrativos correspondentes.

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