Dezenas de famílias acampadas em Novo Mundo, no norte de Mato Grosso, aguardam a desocupação de uma área de aproximadamente 2 mil hectares da Fazenda Cinco Estrelas, destinada à implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Novo Mundo. O grupo vive no Acampamento União Recanto Cinco Estrelas, às margens de uma rodovia, e espera há anos pela concretização do assentamento. A área fica próxima à MT-322 e integra uma propriedade de 4.354 hectares cujo domínio da União foi reconhecido pela Justiça Federal.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) afirma que não se trata de desapropriação de uma propriedade privada, mas de uma área pública federal. Em documento oficial, o órgão confirmou que existem 74 vagas previstas para o PDS Novo Mundo. O processo de seleção das famílias foi formalizado pelo Incra em 2025, enquanto decisões judiciais posteriores determinaram a desocupação da área para permitir a implantação do assentamento.
A disputa ganhou novo prazo em uma decisão judicial de 24 de abril de 2026, que concedeu 180 dias para a saída dos ocupantes ligados à família Rodrigues da Cunha. Segundo a reportagem, a contagem deve ser feita em dias corridos e resulta, pela contagem exata, em 21 de outubro. Os acampados, porém, consideram 24 de outubro como a data-limite. O Incra informou que o prazo pode ser prorrogado pelo juízo de origem e afirmou que estão em andamento medidas para a desocupação e a posterior imissão do órgão na posse da área.
Enquanto aguardam a definição, os moradores relatam ameaças e presença de homens armados nas proximidades. Em 2024, quando parte da área foi ocupada pelas famílias, a Polícia Militar de Mato Grosso foi acionada. Segundo o governo estadual, 13 pessoas foram presas na ocasião e foram apreendidos uma espingarda, facas, facões e armas artesanais. As famílias, por sua vez, afirmam que a presença de homens armados e a atuação policial aumentaram a sensação de insegurança na região.
A área também sofre outros conflitos relacionados ao uso da terra. Parte do imóvel destinado ao assentamento foi arrendada para o cultivo de soja, enquanto um garimpo teria se instalado em outra parcela. As famílias afirmam ainda enfrentar problemas de infraestrutura no acampamento, como falta de energia elétrica, ausência de água encanada e alagamentos durante períodos de chuva. Moradores também relatam exposição a produtos utilizados nas plantações vizinhas.
A proximidade do calendário eleitoral acrescentou uma dimensão política à expectativa das famílias, que temem que mudanças na administração federal possam afetar o andamento do assentamento. O processo, contudo, depende de decisões judiciais e administrativas que permanecem em curso.














