A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a Operação Janus, que investiga um núcleo de uma facção criminosa suspeito de utilizar empresas do ramo de alimentos e a distribuição de cestas básicas para movimentar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa. Segundo a investigação, o dinheiro teria origem principalmente no tráfico de drogas e em golpes virtuais e, posteriormente, seria inserido em operações comerciais para ocultar ou dissimular sua procedência.
Ao todo, foram cumpridas 14 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens móveis e imóveis. As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, em Mato Grosso, e em Goiânia, capital de Goiás. As determinações foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, e os investigados são suspeitos de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação aponta que havia uma divisão de funções entre os envolvidos. Alguns seriam responsáveis pela obtenção e movimentação dos recursos, enquanto outros atuariam na compra dos alimentos e na logística de distribuição das cestas básicas. De acordo com a Polícia Civil, os mantimentos eram destinados a integrantes e simpatizantes da organização e a distribuição também teria sido utilizada como uma forma de assistencialismo para fortalecer a presença territorial e ampliar a influência do grupo.
O rastreamento financeiro revelou movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados. Uma empresa localizada em Várzea Grande teria movimentado R$ 13,2 milhões em quatro anos, apesar de, segundo os elementos reunidos no processo, não apresentar estrutura física compatível com a atividade econômica declarada. Também foram identificadas movimentações superiores a R$ 36 milhões em contas de uma investigada e de mais de R$ 4,7 milhões em contas de outro alvo.
Em atualização publicada em 24 de setembro, o Diário de Cuiabá informou que três movimentações financeiras destacadas na investigação somam R$ 53,8 milhões. A apuração continua sob responsabilidade da Polícia Civil, que busca identificar e constranger o patrimônio relacionado ao grupo e interromper o fluxo financeiro que, segundo os investigadores, sustentaria as atividades ilícitas e a estrutura de distribuição de alimentos.
O nome da operação, Janus, faz referência ao deus romano Jano, tradicionalmente representado com duas faces. Segundo a investigação, a denominação remete à dupla finalidade atribuída à estrutura investigada: de um lado, a aparência de assistencialismo criada pela distribuição das cestas básicas; de outro, a utilização das empresas e das operações comerciais para movimentar recursos de origem supostamente ilícita e ampliar a influência territorial da organização criminosa.














