O Ministério Público Federal ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra cinco ex-funcionários da Caixa Econômica Federal em Mato Grosso, suspeitos de participação em saques fraudulentos de precatórios judiciais. Segundo o MPF, o prejuízo atribuído às irregularidades chega a R$ 2.077.573,36. A ação foi divulgada em setembro de 2026 e ainda será analisada pela Justiça Federal.
Os alvos são identificados pelas iniciais C.S.F.J., M.O.G., P.C.D., M.L.L. e O.S.D. Segundo as informações apresentadas na ação, eles trabalharam na Caixa entre junho de 2018 e março de 2022. As supostas irregularidades teriam ocorrido principalmente entre 2018 e 2019, envolvendo três agências da instituição em Cuiabá e unidades localizadas nos estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais.
De acordo com o MPF, os ex-funcionários teriam utilizado credenciais funcionais para acessar sistemas internos, consultar contas judiciais e obter informações de beneficiários de precatórios. A acusação aponta que os dados teriam sido utilizados em diferentes etapas das operações, como abertura de contas, análise de documentos, autorização de pagamentos e realização de saques em desacordo com os procedimentos de segurança da instituição.
Entre os casos descritos está o saque de um precatório de R$ 91.062,73. Conforme a acusação, R$ 20 mil desse valor teriam sido posteriormente transferidos para uma conta de titularidade de um dos ex-funcionários. Outro episódio envolve um precatório de R$ 1.704.756,61, pago em 10 de agosto de 2018, considerado o maior valor citado na ação. O MPF atribui a um dos investigados participação em pelo menos cinco levantamentos fraudulentos e uma tentativa.
A investigação também reúne elementos de processos disciplinares instaurados pela própria Caixa e informações obtidas pela Polícia Federal. O caso tem relação com a Operação Et Caterva, deflagrada em 31 de março de 2021 para investigar uma organização suspeita de fraudes envolvendo precatórios judiciais e o Auxílio Emergencial. Na ocasião, a Polícia Federal informou ter identificado aproximadamente 1.570 saques indevidos do benefício e mais de R$ 13 milhões em levantamentos ilegais de precatórios.
O caso também foi analisado pelo Tribunal de Contas da União. Segundo as informações apresentadas pelo MPF, o TCU considerou irregulares as contas relacionadas aos cinco ex-funcionários e determinou o ressarcimento de valores atribuídos individualmente aos envolvidos. A Caixa também realizou uma investigação interna e, segundo as reportagens que divulgaram o caso, os cinco empregados foram demitidos.
Na ação judicial, o MPF pede a condenação dos cinco ex-funcionários por atos de improbidade administrativa e o ressarcimento integral do prejuízo de R$ 2.077.573,36. Para dois deles, o órgão também solicitou sanções relacionadas a suposto enriquecimento ilícito. Para os outros três, os pedidos estão relacionados ao alegado prejuízo causado à instituição.














