Greve dos Correios chega à segunda semana e terá julgamento no TST

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios chegou à segunda semana nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, sem acordo entre a empresa e as entidades sindicais. A paralisação começou em 10 de setembro e o Tribunal Superior do Trabalho marcou para esta segunda-feira, às 13h30, o julgamento do dissídio coletivo que envolve o movimento. A sessão deverá analisar a legalidade da greve e as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

O principal ponto de divergência está relacionado ao plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. Os trabalhadores contestam a proposta de alteração do modelo de custeio do CorreiosSaúde, pela qual a empresa pretende modificar sua condição de mantenedora para patrocinadora do benefício. A categoria também apresentou reivindicações relacionadas a reajuste salarial, gratificações e outras cláusulas do acordo coletivo.

Os Correios acionaram o TST depois que as negociações terminaram sem consenso. A empresa sustenta que sua proposta preserva a maior parte das cláusulas do acordo anterior e busca conciliar a manutenção dos direitos dos empregados com a situação financeira da estatal. A companhia também decidiu aguardar o julgamento do tribunal depois de não conseguir avançar nas tratativas com os sindicatos.

Durante a paralisação, o TST determinou que pelo menos 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade em cada unidade dos Correios. A determinação abrange os setores de atendimento, tratamento, transporte e distribuição, além das áreas administrativas e de suporte consideradas necessárias à continuidade dos serviços postais. A medida não encerrou a greve e permanece válida enquanto o movimento estiver em andamento.

Os Correios afirmam que mantêm um plano de contingência para reduzir os efeitos da paralisação. Entre as medidas adotadas estão o remanejamento de empregados para atividades operacionais, reorganização de equipes e utilização de recursos disponíveis para manter o funcionamento das unidades. Mesmo com essas medidas, a paralisação pode provocar atrasos na distribuição e alterações nos prazos de entrega.

A greve ocorre em um momento de dificuldades financeiras para a estatal. Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões no segundo trimestre de 2026 e acumulavam perdas de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre. A empresa também busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, operação que depende de garantias do Tesouro Nacional.

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