Exportações de carne bovina crescem 22,3% até agosto, mas agosto recua

Forklift and Container

As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram US$ 11,74 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de aproximadamente 22,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o resultado continua positivo no acumulado do ano, apesar de uma mudança importante no ritmo dos embarques durante agosto.

No mês passado, o Brasil exportou US$ 1,21 bilhão em carne bovina, uma queda de 19,7% diante dos US$ 1,50 bilhão registrados em agosto de 2025. O volume também recuou 27,1%, passando de 268,4 mil toneladas para 195,7 mil toneladas. A redução ocorreu principalmente em razão da diminuição das compras chinesas, depois que a cota de importação sem a sobretaxa adicional de 55% se aproximou do limite estabelecido por Pequim.

Mesmo com a retração de agosto, o acumulado de 2026 ainda registra crescimento expressivo. De janeiro a agosto, o volume exportado de carne bovina avançou 4,7%, enquanto a receita aumentou 22,3%. A diferença entre os dois indicadores é explicada, em parte, pela valorização do preço médio da carne brasileira no mercado internacional ao longo do ano.

A China continua sendo um dos principais mercados para a proteína brasileira, mas os embarques ao país asiático perderam força em agosto. O movimento ocorreu depois que o governo chinês comunicou, em 10 de agosto, que 90% da cota de 1,1 milhão de toneladas sem a tarifa adicional já havia sido utilizada. Diante do risco de incidência da sobretaxa de 55%, exportadores reduziram os volumes enviados ao mercado chinês.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a União Europeia ganharam importância relativa para os exportadores brasileiros. Em agosto, as vendas brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em valor, embora o acumulado de janeiro a agosto ainda registre queda de 9,7% nas exportações totais para o mercado americano. Para a União Europeia, as exportações brasileiras de diversos produtos cresceram 46,4% em valor em agosto, segundo o MDIC.

O cenário europeu, entretanto, ficou mais desafiador para a carne brasileira. Desde 3 de setembro, a União Europeia suspendeu a entrada de carne bovina, aves, ovos e mel do Brasil, alegando falta de garantias relacionadas ao cumprimento das normas sanitárias sobre antimicrobianos. O governo brasileiro e entidades do setor trabalham para reverter a decisão, que atinge um mercado de alto valor agregado.

Com China e União Europeia impondo obstáculos diferentes às compras, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina entra em uma nova fase nos próximos meses. Ainda assim, os números acumulados até agosto mostram que 2026 permanece muito acima de 2025 em receita. A partir de setembro, porém, o comportamento das vendas dependerá da evolução das negociações sanitárias com os europeus, das cotas chinesas e da capacidade dos frigoríficos brasileiros de ampliar as vendas para outros mercados.

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