Crédito mais difícil faz consumo recuar em Cuiabá pelo 3º mês seguido

A maior dificuldade para conseguir crédito contribuiu para a terceira queda consecutiva da Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em Cuiabá. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisado pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), mostra que o indicador caiu de 114,1 pontos em maio para 107,7 pontos em agosto, uma retração de 5,9%.

O percentual de famílias que relatam dificuldade para obter crédito aumentou de 40,3% em maio para 48% em agosto. Segundo a Fecomércio-MT, o resultado pode indicar maior rigor das instituições financeiras na avaliação dos consumidores e também uma crescente dependência do crédito para complementar o orçamento doméstico. O presidente da entidade, Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli, relacionou o cenário ao nível de endividamento das famílias.

“O avanço no percentual da percepção de dificuldade para obtenção de financiamentos sugere maior seletividade e rigidez por parte das instituições financeiras na concessão de crédito, fator que corrobora a tese de crescente dependência do endividamento para a complementação do orçamento doméstico”, afirmou Tião da Zaeli.

Além do acesso ao crédito, outros componentes contribuíram para a retração do indicador. A Compra a Prazo recuou 2,6%, a Perspectiva Profissional caiu 2,1%, a Renda Atual teve queda de 1,4%, o Nível de Consumo Atual diminuiu 1,2%, a Perspectiva de Consumo recuou 0,7% e o Emprego Atual caiu 0,5%. O indicador Momento para Duráveis, entretanto, avançou 0,4%, sinalizando alguma disposição das famílias para investimentos e aquisição de bens considerados necessários.

Apesar da queda geral, a pesquisa também identificou sinais de confiança entre parte dos consumidores cuiabanos. Segundo os dados, 48,3% das famílias afirmaram sentir maior segurança no emprego atual em relação a agosto de 2025. Outros 52,2% consideram que a renda familiar está em melhores condições do que no mesmo período do ano passado.

Para Sebastião Gonçalves, esses números indicam que a cautela atual pode ser passageira. “A resiliência do subíndice de duráveis e o otimismo de parcela expressiva dos entrevistados em relação à renda e à segurança no emprego indicam que a cautela atual tem caráter temporário e se apoia em fundamentos de médio prazo ainda sólidos”, afirmou.

O movimento registrado em Cuiabá acompanha, em parte, a tendência nacional. Depois de permanecer estável, a ICF brasileira recuou de 104 para 103,9 pontos. Para a Fecomércio-MT, o resultado reflete um cenário de maior cautela das famílias diante das expectativas sobre o mercado de trabalho e o poder de compra.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui