Ferrogrão avança e pode ter leilão em 2027 para ligar MT ao Pará

A Ferrogrão voltou ao centro da agenda de infraestrutura ferroviária do Governo Federal e pode entrar em uma nova etapa decisiva em 2027. O projeto da EF-170 prevê a ligação entre Sinop, no norte de Mato Grosso, e Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará, criando uma nova rota para o transporte da produção agrícola do Centro-Oeste até os portos do Arco Norte.

A expectativa mais recente foi apresentada pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio. Segundo informações divulgadas em 3 de setembro de 2026, o edital da ferrovia deverá ser encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) nas próximas semanas. A agência trabalha com a possibilidade de realizar o leilão da concessão em 2027.

O avanço ocorre depois de uma mudança importante no cenário jurídico. Em 21 de maio de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou constitucional a Lei 13.452/2017, que reduziu a área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão e também adequações relacionadas à BR-163.

A decisão do STF encerrou um dos principais entraves judiciais que vinham impedindo o desenvolvimento do projeto. A discussão estava concentrada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553, apresentada contra a alteração dos limites da unidade de conservação.

A redução atingiu aproximadamente 862 hectares do Parque Nacional do Jamanxim. O questionamento judicial sustentava que a mudança na área protegida, originada de medida provisória posteriormente convertida em lei, contrariaria regras constitucionais de proteção ambiental.

Com a decisão do Supremo pela constitucionalidade da legislação, o projeto passou a ter condições jurídicas mais favoráveis para avançar nas etapas necessárias à concessão. Ainda assim, o empreendimento depende do cumprimento dos procedimentos regulatórios, ambientais e de controle antes de chegar efetivamente ao leilão.

De acordo com a ANTT, a Ferrogrão terá aproximadamente 933 quilômetros de extensão e será concedida à iniciativa privada pelo prazo de 69 anos. O investimento previsto no projeto é de R$ 25,20 bilhões, enquanto os custos operacionais estimados alcançam R$ 49,25 bilhões durante o período de concessão.

A ferrovia foi planejada para acompanhar, em grande parte, o eixo da BR-163 e oferecer uma alternativa ferroviária ao transporte rodoviário de cargas. A proposta é especialmente relevante para Mato Grosso, um dos principais produtores brasileiros de soja, milho e outras commodities agrícolas.

A conexão com Miritituba permitirá que a produção seja encaminhada aos terminais portuários instalados às margens do rio Tapajós. A partir dali, as cargas podem seguir pela hidrovia até outros portos do Arco Norte, ampliando as alternativas de exportação para o mercado internacional.

O Ministério dos Transportes estima que a Ferrogrão tenha capacidade para transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas por ano. Os estudos da ANTT projetam demanda de 33,54 milhões de toneladas em 2030, 38,63 milhões em 2040 e 40,6 milhões em 2050.

A expectativa do setor produtivo é que a ferrovia ajude a reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias e diminua a pressão sobre a BR-163. A mudança também poderá melhorar a eficiência do escoamento da produção do norte de Mato Grosso e ampliar a utilização dos portos do Arco Norte.

O projeto, entretanto, ainda não significa uma ferrovia em construção. Antes do início das obras, será necessário cumprir uma série de etapas regulatórias, incluindo a análise do edital pelo TCU e os procedimentos relacionados ao processo de concessão.

A previsão de leilão para 2027 representa, portanto, uma expectativa da ANTT baseada no atual cronograma de desenvolvimento do projeto. A data definitiva dependerá do andamento das próximas etapas e da conclusão dos procedimentos necessários para que o edital possa ser levado à disputa.

A Ferrogrão está incluída na carteira de projetos ferroviários do Governo Federal e é considerada uma obra estratégica para a ampliação da infraestrutura de transporte do país. O empreendimento também se conecta a uma estratégia mais ampla de fortalecimento dos corredores de exportação pelo Arco Norte.

Para Mato Grosso, o projeto tem importância particular porque poderá estabelecer uma ligação ferroviária direta entre uma das principais regiões produtoras de grãos do Estado e os terminais de Miritituba. A expectativa é de que a nova alternativa logística aumente a competitividade da produção e reduza custos relacionados ao transporte de grandes volumes por rodovias.

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