O fenômeno El Niño deve ganhar força nos próximos meses e aumentar os riscos de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo. O alerta é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), que informou em 31 de julho de 2026 que um El Niño forte estava em desenvolvimento e deveria se intensificar durante o período de agosto a outubro.
A atualização mais recente para o Brasil foi divulgada em 1º de setembro pelo Painel El Niño 2026-2027, formado por órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e outros órgãos federais. O terceiro boletim apontou mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre setembro e novembro.
Segundo o documento, o El Niño apresenta continuidade e tendência de intensificação, com possibilidade de atingir níveis muito fortes durante a primavera e o verão de 2026. A previsão exige atenção porque o fenômeno modifica os padrões de circulação atmosférica e pode provocar alterações importantes nos regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
A Organização Meteorológica Mundial alerta que o fortalecimento do fenômeno aumenta a possibilidade de ondas de calor, períodos de seca, chuvas intensas e outros eventos extremos. Os efeitos, entretanto, não são iguais em todas as regiões e dependem também da interação do El Niño com outros sistemas atmosféricos e das condições climáticas locais.
No Brasil, os impactos já estão sendo considerados pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento climático. O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027 apresenta projeções para diferentes regiões e setores, incluindo recursos hídricos, agricultura, energia, saúde e riscos de desastres. A recomendação é que governos e setores econômicos utilizem as previsões para antecipar medidas de prevenção e adaptação.
Em Mato Grosso, a previsão climática do INMET para setembro indica predomínio de chuvas acima da média histórica em áreas do Centro-Oeste. O cenário, porém, não significa que todo o Estado terá chuva acima do normal. A distribuição das precipitações pode variar entre as regiões, de acordo com a atuação dos sistemas meteorológicos ao longo do mês.
O fortalecimento do El Niño também pode influenciar as temperaturas. A OMM prevê temperaturas acima da média em grande parte do planeta durante a atuação do fenômeno, o que pode aumentar a ocorrência de ondas de calor e agravar condições de estresse térmico em áreas já vulneráveis.
Apesar dos alertas, especialistas ressaltam que o El Niño não determina sozinho o comportamento do clima em cada município. O fenômeno é um dos principais fatores de grande escala que interferem no clima, mas sua influência é combinada com outros sistemas atmosféricos. Por isso, previsões de curto e médio prazo continuam sendo necessárias para determinar onde e quando ocorrerão chuvas fortes, períodos secos ou temperaturas elevadas.
A previsão atual indica que o episódio poderá permanecer influente até 2027, mas a intensidade e os impactos deverão ser acompanhados por meio das atualizações dos centros meteorológicos. No Brasil, o Painel El Niño 2026-2027 continuará reunindo informações de diferentes órgãos para avaliar a evolução do fenômeno e seus possíveis efeitos sobre o território nacional.
A expressão “Super El Niño”, utilizada na manchete da publicação de referência, é uma denominação jornalística e não uma categoria oficial da Organização Meteorológica Mundial. O que as instituições meteorológicas confirmam é a existência de um El Niño em desenvolvimento, com previsão de forte intensificação e possibilidade de atingir intensidade muito forte nos próximos meses.














