O avanço do aquecimento global para além de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais aumenta os riscos para a saúde da população, a produção de alimentos, os recursos hídricos e a economia. O alerta ganhou força nesta semana após a Organização das Nações Unidas indicar, em 2 de setembro de 2026, que o planeta deverá ultrapassar esse limite nos próximos anos. Especialistas destacam que um clima mais quente tende a favorecer a ocorrência de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos extremos.
Os efeitos não se limitam a regiões específicas do planeta. No Brasil, o governo federal já considera a mudança do clima uma realidade que exige medidas de adaptação. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Plano Clima, estabelece ações para reduzir a vulnerabilidade de cidades, comunidades, ecossistemas e setores econômicos diante de fenômenos como secas, enchentes e ondas de calor.
Na agricultura, os impactos podem aparecer principalmente por meio da combinação entre temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) informou, em junho de 2026, que o aumento das temperaturas pode intensificar a deficiência hídrica no fim do período seco na Região Centro-Oeste. A situação pode atingir pastagens, recursos hídricos utilizados pela pecuária e a preparação da próxima safra.
O cenário também preocupa pela possibilidade de aumento das ondas de calor e dos incêndios florestais. Segundo o Cemaden, havia alta probabilidade de temperaturas acima da média durante o segundo semestre de 2026, condição capaz de favorecer eventos de calor extremo e ampliar o risco de queimadas. Ao mesmo tempo, algumas culturas agrícolas podem se beneficiar de determinadas condições climáticas em períodos específicos, mostrando que os efeitos da mudança do clima variam conforme a região, a cultura e a disponibilidade de água.
Na área da saúde, temperaturas mais elevadas e eventos extremos podem aumentar a exposição da população a situações de estresse térmico e agravar problemas relacionados à qualidade do ar, além de ampliar riscos associados a desastres naturais. O Ministério da Saúde mantém a mudança do clima entre os temas que exigem preparação do Sistema Único de Saúde (SUS), justamente diante da necessidade de antecipar os impactos sobre a população.
Os efeitos também chegam à economia. Estudo estratégico elaborado pelo Ministério do Planejamento avaliou diferentes cenários de aquecimento global e concluiu que níveis mais elevados de temperatura estão associados a impactos econômicos mais severos e a maiores custos de adaptação. O documento aponta que o cenário de 1,5°C apresenta os melhores resultados econômicos agregados entre os cenários analisados e reforça que os custos de não agir podem superar os investimentos necessários para reduzir os impactos.
O debate sobre o limite de 1,5°C ganhou relevância porque esse patamar foi estabelecido como referência central no Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura média global. O desafio, segundo as políticas climáticas brasileiras, é atuar simultaneamente na redução das emissões e na adaptação aos efeitos que já estão ocorrendo.
No Brasil, a resposta envolve diferentes áreas do governo e setores da sociedade. O Plano Clima 2024–2035 prevê estratégias de adaptação e mitigação, enquanto órgãos como Cemaden e Ministério da Saúde acompanham riscos específicos relacionados ao clima. Para especialistas e autoridades, a combinação de prevenção, planejamento e redução das emissões é fundamental para diminuir os prejuízos sociais, ambientais e econômicos provocados por um planeta cada vez mais quente.















