Treze compradores de terrenos em Caldas Novas, no interior de Goiás, acionaram na Justiça o empresário e candidato à Presidência da República Pablo Marçal, além da empresa responsável pelo loteamento e do condomínio, sob alegação de que estruturas prometidas no empreendimento Noova Vista não foram concluídas. O caso deu origem a uma disputa judicial que se arrasta há cerca de um ano e meio em uma das varas cíveis do município.
Lançado em 2021 pela Lago de Cristal Empreendimentos Imobiliários, o projeto oferecia lotes de 360 metros quadrados com preços a partir de R$ 100 mil. Entre os compradores que ingressaram com a ação, há pessoas que afirmam ter desembolsado até R$ 169,2 mil pelos terrenos. Além da aquisição dos lotes, os contratos previam a implantação de infraestrutura e diversas áreas de uso coletivo.
Segundo os compradores, o empreendimento deveria contar com asfalto, meio-fio, iluminação pública e estrutura para fornecimento de energia elétrica e água. Também estavam previstas áreas como calçadão com acesso ao lago, centro de lazer, horta e pomar comunitários, parque para trilhas e bicicleta, trilha de jogger, mirante e duas praças. Os autores afirmam que parte dessas estruturas básicas e benfeitorias não foi entregue conforme havia sido apresentado na comercialização.
Na ação judicial, os compradores também questionam a atuação de Pablo Marçal na divulgação do empreendimento. Segundo eles, o empresário teria se apresentado como um dos sócios investidores do projeto e utilizado sua notoriedade para transmitir segurança aos interessados na compra dos terrenos. Os autores sustentam que essa exposição teria contribuído para que os consumidores acreditassem na solidez financeira e na confiabilidade do empreendimento.
Apesar da alegação dos compradores, documentos societários citados na reportagem indicam que Marçal não aparece formalmente como sócio da empresa responsável pelo empreendimento. Ao mesmo tempo, existem publicações em redes sociais que mostram o empresário participando do lançamento do Noova Vista, realizado em 2021, além de imagens em que aparece divulgando o loteamento, conversando com outros integrantes do projeto e acompanhando o andamento das obras.
O caso, portanto, envolve uma diferença entre a participação pública atribuída a Marçal pelos compradores e sua condição formal no quadro societário da empresa. A discussão deverá ser analisada pela Justiça dentro do processo, que busca determinar as responsabilidades de cada uma das partes envolvidas na comercialização e execução do empreendimento.
A acusação de “calote”, portanto, é feita pelos compradores e não representa, até o momento, uma conclusão judicial definitiva sobre a responsabilidade de Pablo Marçal. O processo ainda está em andamento e as alegações apresentadas pelos autores terão de ser analisadas juntamente com as manifestações dos demais envolvidos e as provas reunidas nos autos.
O episódio ganha repercussão adicional porque ocorre em meio à preparação de Marçal para a disputa eleitoral de 2026. O empresário, que se apresenta como candidato à Presidência da República, volta a ser alvo de questionamentos relacionados à sua atuação empresarial, desta vez em uma ação movida por consumidores que afirmam ter adquirido terrenos no empreendimento Noova Vista.
Enquanto a disputa judicial continua, os compradores buscam responsabilizar Marçal, o loteamento e o condomínio pelas obrigações que afirmam não terem sido cumpridas. A Justiça ainda deverá avaliar os documentos, contratos e demais elementos apresentados no processo antes de estabelecer eventuais responsabilidades. Até lá, as acusações permanecem como alegações dos autores da ação.












