Cal de construção é encontrada em estação de água de Acorizal

Uma fiscalização realizada na terça-feira, 18 de agosto de 2026, encontrou sacos de cal hidratada destinada à construção civil dentro de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) de Acorizal, a cerca de 60 quilômetros de Cuiabá. Segundo os órgãos que participaram da ação, funcionários da unidade afirmaram que o produto vinha sendo utilizado no tratamento da água distribuída aos moradores do município. A fiscalização foi realizada pela Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), pela Vigilância Sanitária Estadual e pelo Procon de Mato Grosso.

A ação ocorreu após uma requisição da 6ª Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Cuiabá, motivada por uma denúncia sobre o possível uso de produto inadequado no tratamento da água potável. Durante a inspeção, os fiscais encontraram diversos sacos de cal hidratada armazenados na estação. Questionados, trabalhadores disseram que o material era utilizado no processo de tratamento, mas afirmaram que naquele dia a substância não havia sido aplicada porque, segundo a avaliação da equipe, a água apresentava boa qualidade.

Os fiscais analisaram as informações técnicas presentes nas embalagens e entraram em contato com o fabricante, instalado no município de Nobres. A empresa informou que não fabrica nem comercializa cal destinada ao tratamento de água para consumo humano e confirmou que o produto encontrado na estação era destinado à construção civil. Diante da constatação, a Vigilância Sanitária interditou todo o material encontrado, enquanto a Polícia Civil apreendeu uma unidade para encaminhamento à perícia. A concessionária também foi notificada para não continuar utilizando o produto.

Segundo o delegado Rogério Gomes, titular da Decon, a cal pode ser empregada no tratamento de água quando se trata de um produto específico e adequado para essa finalidade. O problema identificado em Acorizal é que o material encontrado teria destinação para a construção civil. Conforme explicou o delegado, esse tipo de produto pode conter metais pesados e outras impurezas que não atendem aos parâmetros exigidos para substâncias utilizadas no tratamento de água destinada ao consumo humano.

A Polícia Civil informou que irá instaurar inquérito para apurar a suspeita de utilização de produto impróprio e verificar a eventual responsabilidade dos gestores da concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgoto de Acorizal. A investigação deverá esclarecer também se o produto encontrado chegou efetivamente a ser utilizado no tratamento da água distribuída à população e em que quantidade.

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