MT monitora 38 mil autores de violência doméstica com sistema de risco

Cerca de 38 mil autores de violência doméstica estão cadastrados em um sistema de monitoramento desenvolvido em Mato Grosso para identificar situações de maior risco contra mulheres. O Painel de Monitoramento Hierárquico de Agressores (PEMHA) reúne informações de registros de ocorrência e atribui uma pontuação de risco a cada pessoa cadastrada, permitindo que as forças de segurança direcionem o acompanhamento para os casos considerados mais preocupantes. A informação foi divulgada em 19 de agosto de 2026.

O sistema considera fatores como a quantidade de registros policiais, o tipo de ameaça relatada e a existência de agressões físicas ou psicológicas. De acordo com a secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho, o software consegue analisar os boletins registrados mesmo quando o caso não evoluiu para um pedido de medida protetiva. A partir desse banco de dados, as forças de segurança conseguem identificar possíveis padrões de reincidência e classificar o grau de ameaça representado por cada agressor.

Uma das estratégias previstas é a realização de visitas presenciais por equipes da Polícia Militar antes mesmo da concessão de uma medida protetiva pela Justiça. Nessas abordagens, os policiais orientam os homens identificados pelo sistema sobre as consequências da violência doméstica e informam que o comportamento está sendo acompanhado pelo Estado. A proposta é atuar preventivamente e tentar impedir que conflitos se agravem ou evoluam para crimes mais graves, incluindo o feminicídio.

Segundo Susane Tamanho, o cruzamento dos registros permite reconhecer situações em que um mesmo homem acumula ocorrências envolvendo diferentes mulheres. A secretária exemplificou que um agressor pode ter sido denunciado por uma mulher, encerrado o relacionamento e posteriormente se envolver com outras vítimas, acumulando novos registros. A identificação desse padrão permite que o sistema reconheça pessoas com potencial para repetir comportamentos violentos.

A própria Secretaria de Segurança Pública, no entanto, ressalta que nem todo feminicídio é precedido por um histórico conhecido de violência. Há casos em que o autor não possui registros anteriores e outros em que a vítima nunca procurou as autoridades. Por isso, a coronel Susane Tamanho reforça que a comunicação da violência é fundamental para que o Estado consiga identificar situações de risco e oferecer proteção às mulheres.

A iniciativa integra uma política mais ampla de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso. O Plano Estadual de Metas para o Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, com vigência de 2025 a 2035, estabelece entre seus objetivos a redução dos índices de violência e prevê ações de prevenção, atendimento, segurança pública, justiça e produção de dados. O documento oficial também prevê o desenvolvimento de sistemas informatizados para análise de risco e acompanhamento das ocorrências.

Até 20 de agosto de 2026, a informação disponível aponta que aproximadamente 38 mil pessoas já integram o banco de dados do PEMHA. O número representa autores identificados em registros de violência doméstica, e o sistema utiliza essas informações para estabelecer níveis de risco e orientar ações preventivas das forças de segurança. A Sesp-MT classifica a ferramenta como uma iniciativa inédita no país.

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