O déficit de armazenagem de grãos segue como um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional. Um levantamento recente aponta que a limitação da capacidade de estocagem provoca perdas superiores a R$ 80 bilhões ao produtor rural, ao longo das últimas safras, em função da necessidade de venda imediata da produção no período de colheita.
De acordo com o estudo, a insuficiência de silos e estruturas adequadas obriga agricultores a comercializar soja e milho em momentos de maior oferta, quando os preços estão mais pressionados. Essa dinâmica reduz o poder de negociação do produtor e compromete diretamente a rentabilidade das lavouras, principalmente em regiões de forte expansão agrícola.
Em Mato Grosso, a situação é considerada ainda mais crítica, já que a produção cresce em ritmo superior à capacidade de armazenagem. Relatórios técnicos indicam que o estado consegue estocar apenas cerca de metade do volume colhido, o que amplia a dependência de soluções emergenciais como armazenamento a céu aberto e uso de estruturas improvisadas.
Especialistas do setor apontam que o problema não é recente e vem se agravando ao longo dos anos, acompanhando o avanço da produção de grãos. Enquanto a produtividade cresce de forma acelerada, os investimentos em infraestrutura de pós-colheita não acompanham o mesmo ritmo, criando um desequilíbrio estrutural na cadeia produtiva.
Entidades ligadas ao agronegócio defendem que o aumento da capacidade de armazenagem deve ser tratado como prioridade estratégica. A avaliação é de que, sem investimentos consistentes em silos e logística, o país continuará perdendo competitividade e renda no campo, mesmo com recordes sucessivos de produção agrícola.














