O Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou a analisar uma investigação que envolve o ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes (União), relacionada à segunda fase da Operação Hermes, da Polícia Federal. O caso apura um suposto esquema de contrabando de mercúrio utilizado em atividades de garimpo e chegou ao tribunal superior após a Justiça Federal de Campinas identificar a possibilidade de envolvimento de uma autoridade com prerrogativa de foro.
A decisão de encaminhar o inquérito ao STJ foi tomada em 20 de maio pelo juiz Anderson Vioto Silva, da 1ª Vara Federal de Campinas (SP), atendendo a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). Segundo os elementos apresentados pelo órgão, existe a hipótese de que Mauro Mendes tenha mantido participação societária indireta na Mineração Aricá, empresa formalmente relacionada ao filho dele, Luis Antonio Taveira Mendes.
Conforme apontado pelo MPF, entre novembro de 2011 e janeiro de 2020, a empresa Maney Participações Ltda. manteve 40% de participação na Mineração Aricá. Mauro Mendes, por sua vez, figura como sócio da Maney desde agosto de 2017. A relação societária levou os investigadores a levantar a hipótese de que o ex-governador pudesse ser um dos proprietários ocultos da mineradora. A investigação também considera vínculos familiares, já que Luis Antonio é filho de Mauro Mendes e Virgínia Mendes, que também aparece relacionada à empresa em período anterior.
Outro elemento citado pelo Ministério Público Federal é a possível presença de Mauro Mendes em uma área de garimpo relacionada às investigações enquanto ele exercia o cargo de governador de Mato Grosso. Com esses elementos, o juiz federal considerou que havia indícios que, em tese, poderiam estar relacionados a fatos praticados durante o exercício do cargo, levando à aplicação das regras de competência do STJ para autoridades com prerrogativa de foro.
A investigação também envolve Luis Antonio Taveira Mendes, além da Mineração Aricá, Kin Mineração e Euler Oliveira Coelho. A Operação Hermes investiga a aquisição e utilização de mercúrio de origem supostamente ilícita em atividades de mineração. Segundo informações reunidas no caso, as mineradoras teriam adquirido mercúrio sem a devida autorização, enquanto a Polícia Federal apurava a origem e a circulação do produto.
O encaminhamento do inquérito ao Superior Tribunal de Justiça, contudo, não representa uma condenação nem comprova, por si só, a participação de Mauro Mendes em crimes. A investigação continua e deverá esclarecer a existência ou não de irregularidades e eventual responsabilidade dos envolvidos. O caso ganhou nova repercussão neste momento porque ocorre durante o período em que Mauro Mendes deixou o Governo de Mato Grosso para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.












