Os casos de violência contra a mulher seguem em ritmo alarmante em Mato Grosso. Dados do Observatório Caliandra, ligado ao Ministério Público Estadual, apontam que o estado registrou 18.536 denúncias entre 1º de janeiro e 21 de maio deste ano, uma média superior a 130 ocorrências por dia. Os números revelam um cenário persistente de agressões e ameaças que continuam atingindo milhares de mulheres em diferentes regiões mato-grossenses.
Entre os registros contabilizados, os crimes mais frequentes foram ameaça, com 6.409 ocorrências, lesão corporal, com 3.231 casos, e injúria, que somou 2.339 denúncias. Os dados mostram que a violência se manifesta de diversas formas, atingindo vítimas tanto fisicamente quanto emocionalmente. O levantamento reúne mais de 18 tipos diferentes de crimes praticados contra mulheres ao longo dos primeiros meses de 2026.
O número de pedidos de proteção também chama atenção. Até maio, 7.491 mulheres solicitaram medidas protetivas de urgência no estado, mecanismo previsto pela Lei Maria da Penha para afastar agressores e reduzir riscos de novos episódios de violência. Especialistas e órgãos de proteção apontam que a procura por esse tipo de medida demonstra não apenas a gravidade dos casos, mas também uma maior busca das vítimas por apoio institucional.
Além das denúncias, os dados registram 18 feminicídios em Mato Grosso neste ano. Os assassinatos provocaram impactos que ultrapassam as vítimas diretas, deixando pelo menos 22 crianças e adolescentes órfãos em consequência dos crimes. O cenário reforça a preocupação de autoridades e entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres, que vêm ampliando campanhas de conscientização e políticas de enfrentamento à violência de gênero.
Diante do aumento dos registros, o governo estadual e instituições do sistema de Justiça têm anunciado novas ações de prevenção e combate aos crimes contra mulheres. Entre as medidas estão investimentos em redes de acolhimento, fortalecimento dos canais de denúncia e ampliação de programas voltados à proteção das vítimas. Ainda assim, os números indicam que o enfrentamento à violência doméstica e de gênero permanece como um dos principais desafios sociais de Mato Grosso.












