Fiscalização barra praga que ameaça lavouras no Brasil

Uma operação de fiscalização realizada no Aeroporto Internacional de Aeroporto Internacional de Guarulhos impediu a entrada no Brasil de uma carga contaminada por uma praga considerada altamente perigosa para o agronegócio nacional. Agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, interceptaram aproximadamente uma tonelada de aspargos importados do Peru após identificarem a presença do inseto Prodiplosis longifila, espécie ausente no território brasileiro e classificada como praga quarentenária A1.

A carga era composta por cerca de 200 caixas de aspargos e foi submetida à fiscalização de rotina ainda na última semana. As amostras coletadas foram enviadas para análise laboratorial no dia 8 de maio, e o resultado conclusivo foi divulgado na quarta-feira (13). Segundo o Ministério da Agricultura, os testes incluíram avaliação visual, análise morfológica em microscópio, consulta bibliográfica, além de exames de PCR e sequenciamento genético para confirmar a presença do inseto.

Conhecida popularmente por diferentes nomes, como mosca-dos-botões-florais, larva-fura-botão, mosquinha-do-tomate e negrilla, a Prodiplosis longifila é considerada uma das maiores ameaças fitossanitárias para diversas culturas agrícolas. De acordo com pesquisas da Embrapa, as larvas se desenvolvem dentro de tecidos vegetais, atingindo botões florais, brotos e frutos jovens. O ataque provoca deformações, queda de flores e redução drástica da produtividade, especialmente em regiões de clima quente e úmido.

O potencial de destruição da praga preocupa especialistas. Estudos científicos já registraram perdas de até 100% em plantações de tomate na Colômbia e prejuízos superiores a 60% no Equador. No Peru, o inseto também é responsável por danos severos nas lavouras de aspargo. Entre as culturas brasileiras que poderiam ser afetadas estão tomate, citros, pimentão, algodão, feijão, batata, cebola, abacate e alcachofra.

Além das perdas econômicas diretas, especialistas alertam que a eventual entrada da praga no Brasil poderia gerar impactos sobre exportações agrícolas e aumentar significativamente os custos de produção. Em países onde o inseto já está estabelecido, produtores passaram a depender do uso intensivo de inseticidas sintéticos como principal forma de combate, elevando despesas e ampliando riscos ambientais. A introdução de pragas quarentenárias também pode provocar barreiras fitossanitárias internacionais, afetando mercados estratégicos para o agronegócio brasileiro.

O caso reforçou a importância da atuação do Vigiagro no controle das fronteiras brasileiras. Atualmente, o sistema conta com 111 unidades espalhadas por aeroportos, portos, postos de fronteira e aduanas especiais. A estrutura realiza inspeções constantes em cargas e produtos de origem vegetal e animal para evitar a entrada de doenças e pragas ainda inexistentes no país.

Pesquisadores da Embrapa destacam que áreas de fronteira próximas a países onde a Prodiplosis longifila já circula representam os pontos de maior vulnerabilidade. Para enfrentar o problema, a instituição coordena atualmente um conjunto de 40 projetos de pesquisa voltados à prevenção e manejo de pragas quarentenárias, envolvendo 25 centros de pesquisa e parcerias internacionais. O objetivo é reduzir os riscos de entrada dessas ameaças e minimizar possíveis impactos econômicos, sociais e ambientais ao agronegócio brasileiro.

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