Polícia Federal prende pai de Daniel Vorcaro, em nova fase da “Compliance Zero”

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a 6ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. A nova etapa da operação teve como principal alvo Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, preso preventivamente em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo as investigações, ele teria participação ativa na ocultação patrimonial e na movimentação de recursos ligados ao suposto esquema criminoso.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, e incluem ainda afastamentos de cargos públicos e bloqueios de bens. A operação também atingiu integrantes da própria Polícia Federal: um agente foi preso, enquanto uma delegada e um policial aposentado foram alvos de busca e acabaram afastados das funções. A PF investiga suspeitas de vazamento de informações, obstrução das apurações e favorecimento ao grupo investigado.

A Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez sob acusação de fraudes na emissão de títulos de crédito. Desde então, novas fases aprofundaram as suspeitas sobre lavagem de dinheiro, corrupção, espionagem ilegal, invasão de dispositivos informáticos, violação de sigilo funcional e atuação de organização criminosa. Em março de 2026, o controlador do Banco Master voltou a ser preso durante a terceira fase da investigação. Os investigadores também apuram a existência de um núcleo de influência e intimidação conhecido como “A Turma”, que teria atuado para pressionar adversários e proteger interesses do grupo.

Henrique Vorcaro aparece em relatórios do Coaf por movimentações financeiras consideradas atípicas, que teriam alcançado cerca de R$ 1 bilhão por meio de empresas ligadas à família. As investigações apontam ainda suspeitas sobre projetos de crédito de carbono usados para inflar fundos relacionados ao ecossistema do Banco Master. Uma conta vinculada ao empresário, operada via Reag/CBSF DTVM, teria registrado saldo superior a R$ 2,2 bilhões e estaria sendo utilizada para ocultar recursos desviados, embora a defesa negue qualquer titularidade ou irregularidade.

O caso ganhou dimensão nacional após relatos de prejuízos bilionários com potencial impacto sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), além da liquidação do Banco Master determinada pelo Banco Central. As apurações também alcançam conexões políticas e econômicas, incluindo conversas sobre possíveis financiamentos e influência em diferentes setores. Há ainda menções a negociações de delação envolvendo Daniel Vorcaro junto à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, embora detalhes permaneçam sob sigilo.

A família Vorcaro nega qualquer prática ilícita e afirma que as acusações são baseadas em interpretações equivocadas das movimentações financeiras. As defesas dos investigados têm questionado a validade das provas e solicitado acesso integral aos documentos da investigação. Apesar disso, a Polícia Federal sustenta que as evidências reunidas até agora apontam para um esquema sofisticado de ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e corrupção com ramificações em diferentes áreas do poder público e do sistema financeiro brasileiro.

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