Empresário preso por elo com PCC tem contratos milionários

O empresário Adair Meira, de 63 anos, preso em Goiânia durante uma operação das Polícias Civis de São Paulo e Goiás, é suspeito de atuar em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo as investigações, ele utilizaria entidades para misturar recursos lícitos e ilícitos, facilitando a movimentação financeira da facção criminosa. A defesa nega qualquer envolvimento do empresário com o grupo criminoso.

Adair Meira é presidente da Fundação Pró-Cerrado, entidade que mantém contratos de R$ 141,5 milhões com o governo de Goiás. Os acordos foram assinados entre 2021 e 2025 e envolvem serviços terceirizados, como auxiliares administrativos, motoristas e operação de call center. Os contratos seguem vigentes e incluem aditivos e renovações previstos até 2025 e 2026.

De acordo com a Polícia Civil paulista, mensagens encontradas em celulares apreendidos apontam que Meira teria ligação com João Gabriel de Mello Yamawaki, apontado como operador financeiro de uma fintech associada ao PCC, o 4TBank. As investigações fazem parte das operações Contaminatio e Decurio, que apuram esquemas de lavagem de dinheiro ligados à facção criminosa em diversos estados.

O governo de Goiás informou que abriu uma verificação interna, conduzida pela Controladoria-Geral do Estado, para analisar os contratos da Fundação Pró-Cerrado. Em nota, a administração estadual afirmou que a prisão do empresário não envolve diretamente a gestão pública e destacou que os contratos seguiram os trâmites legais previstos em lei. A defesa de Adair Meira também sustenta que todas as atividades da fundação ocorreram de maneira regular e transparente.

Além da atuação na fundação, Meira também é ligado ao Sistema Sagres de Comunicação e teve o nome citado nos bastidores políticos goianos como possível integrante de projetos eleitorais futuros, embora essa informação ainda não tenha sido confirmada oficialmente por todas as fontes. O caso provocou repercussão política no estado, especialmente por envolver contratos milionários em meio a uma investigação sobre lavagem de dinheiro para uma das maiores facções criminosas do país.

Apesar da gravidade das suspeitas, não há até o momento condenação contra Adair Meira nem provas públicas de que os recursos dos contratos citados tenham sido desviados diretamente para o PCC. As investigações seguem em andamento, com expectativa de novas análises de contratos, quebra de sigilos e aprofundamento das apurações financeiras pelas autoridades.

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