Imagens de um relatório de inspeção sanitária realizada no final de abril na fábrica da Ypê, em Amparo, no interior de São Paulo, mostram equipamentos usados na produção de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes com marcas visíveis de corrosão. Os detalhes foram revelados pelo programa Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo (10 de maio de 2026).
A inspeção, realizada entre os dias 27 e 30 de abril por técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e da Vigilância Sanitária municipal de Amparo, identificou falhas graves nos sistemas de garantia de qualidade, produção e controle. Segundo a agência, os problemas indicam risco à segurança sanitária, com possibilidade de contaminação microbiológica — ou seja, a presença indesejada de micro-organismos patogênicos.
Em 7 de maio, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê (fabricados pela Química Amparo na unidade de Amparo), especificamente todos os lotes cuja numeração termina em 1. A medida inclui detergentes (lava-louças), sabão líquido para roupas e desinfetantes. Supermercados retiraram os itens das prateleiras, gerando prateleiras vazias em várias regiões do país.

A Ypê nega que tenha ocorrido contaminação nos produtos. Em nota enviada ao Fantástico e a outros veículos, a empresa afirmou que a inspeção não encontrou evidências de contaminação e que possui controles de qualidade rigorosos para identificar e descartar itens fora do padrão. A companhia sustenta que as imagens do relatório mostram áreas dos equipamentos sem contato direto com os produtos e que faz parte de um plano robusto de melhorias, com mais da metade das ações já executadas.
A empresa apresentou recurso administrativo contra a decisão da Anvisa. Com isso, obteve efeito suspensivo, o que permite, temporariamente, a retomada da fabricação e comercialização dos produtos afetados. A Anvisa, no entanto, mantém sua avaliação técnica de risco sanitário e orienta os consumidores a não utilizarem os lotes em questão até o julgamento definitivo pela diretoria colegiada, previsto para os próximos dias. A Ypê informou ainda que triplicou a capacidade de seu SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) para lidar com as reclamações e orientar sobre trocas e ressarcimentos.
A inspeção atual tem relação com um histórico de contaminação microbiológica registrado na empresa em novembro de 2025. A Ypê decidiu manter paralisadas as linhas de produção de produtos líquidos na fábrica de Amparo, mesmo após o recurso, para acelerar as correções apontadas pelos fiscais.
O caso ocorre em um momento de forte concorrência no setor de produtos de limpeza, com a Ypê expandindo sua participação de mercado nos últimos anos.
As vigilâncias sanitárias estaduais e municipais foram orientadas a intensificar a fiscalização para impedir a circulação dos lotes considerados irregulares. Consumidores que possuam os produtos afetados devem consultar o SAC da empresa ou os canais oficiais da Anvisa e do Procon para orientação.













