Operação revela esquema de laudos falsos para soltar faccionados

A Polícia Civil e o Gaeco investigam um esquema criminoso de emissão de atestados médicos falsos usados para garantir prisão domiciliar a detentos ligados ao crime organizado em Santa Catarina. O principal alvo da investigação é o médico gastroenterologista Marcelo Marques Costa, que atua em Camboriú e teria produzido laudos ideologicamente falsos para simular doenças graves inexistentes em presos considerados perigosos. Pelo menos 20 detentos, muitos apontados como integrantes ou lideranças de facções criminosas, teriam sido beneficiados pelo esquema.

Segundo as investigações, a advogada Amanda Letícia Moraes Cunha atuava como intermediária entre os presos, principalmente do Complexo Penitenciário de Itajaí, e o médico. Ela protocolava pedidos judiciais de prisão domiciliar ou liberdade com base nos documentos fraudulentos. A secretária Juliete Francisco também foi presa suspeita de participar da organização, sendo responsável por agendar consultas e negociar pagamentos. A imprensa catarinense aponta que os valores cobrados pelos laudos variavam entre R$ 300 e R$ 4 mil, havendo inclusive relatos de aceitação de terrenos como forma de pagamento.

A fraude começou a ser descoberta após divergências identificadas entre laudos emitidos por médicos do sistema prisional e os documentos apresentados pelo profissional particular. As investigações apontam ainda que vários detentos beneficiados descumpriram medidas judiciais após deixarem o sistema prisional, retirando tornozeleiras eletrônicas e passando à condição de foragidos. O caso ganhou grande repercussão por envolver suspeitas de favorecimento a integrantes do Primeiro Grupo Catarinense (PGC), considerada uma das principais facções criminosas do estado.

A Operação Efeito Colateral foi deflagrada no dia 5 de maio de 2026 e cumpriu quatro mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e do Paraná, incluindo Camboriú, Itajaí, Balneário Camboriú, Joinville e Gaspar. Durante o cumprimento das ordens judiciais na residência do médico, Marcelo Marques Costa reagiu à abordagem policial e efetuou pelo menos quatro disparos contra agentes do Tático da Polícia Militar. Um policial foi atingido na perna, mas permanece estável e fora de risco.

Na operação, os agentes apreenderam mais de R$ 100 mil em dinheiro, além de armas, munições, celulares e documentos. Entre os armamentos encontrados estavam uma pistola calibre .380, um revólver calibre .38 e uma espingarda calibre 12. O médico acabou preso em flagrante. O caso segue em investigação e o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) deverá apurar a conduta profissional do gastroenterologista. As defesas dos envolvidos afirmam inocência e dizem aguardar acesso completo aos autos do processo.

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