O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula a liberação de um empréstimo entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões para distribuidoras de energia elétrica, com o objetivo de minimizar o aumento da conta de luz em 2026, ano eleitoral. A proposta foi confirmada por integrantes do próprio governo envolvidos nas discussões e surge como tentativa de reduzir o impacto direto no bolso dos consumidores.
A iniciativa ocorre em meio à projeção de alta média de 8% nas tarifas de energia, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, índice que representa quase o dobro da inflação estimada para o período. Os primeiros reajustes aprovados já indicam aumentos expressivos em algumas regiões, o que intensificou a preocupação do governo com os efeitos econômicos e políticos da medida.
O plano em análise prevê que o crédito seja concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com juros equivalentes à taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano. A ideia é estabelecer um limite para o reajuste das tarifas — possivelmente atrelado ao IPCA — e cobrir, com o empréstimo, os valores que ultrapassarem esse patamar. Dessa forma, parte do custo seria postergada, evitando repasses imediatos mais elevados aos consumidores.
O foco principal da medida são as distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde alguns reajustes já alcançam dois dígitos. No Rio de Janeiro, por exemplo, foram aprovados aumentos médios de 14,2% para clientes da Enel e de 8,6% para consumidores da Light. Já nas regiões Norte e Nordeste, a expectativa do governo é de reajustes próximos de zero, devido à utilização de recursos adicionais da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Apesar do esforço para conter os aumentos, a estratégia enfrenta críticas dentro do próprio governo. Técnicos avaliam que o mecanismo apenas adia o impacto nas tarifas, já que os valores financiados deverão ser pagos futuramente pelos consumidores. Ainda assim, aliados do presidente consideram a medida necessária diante do cenário eleitoral e do risco de desgaste político causado pela elevação das contas de luz.
Além do empréstimo, o governo também estuda o uso do bônus de Itaipu e possíveis mudanças na metodologia das bandeiras tarifárias, que podem gerar cobranças extras quando o custo de geração de energia aumenta. As alternativas fazem parte de um conjunto de ações em análise para tentar reduzir os efeitos dos reajustes em um momento considerado sensível tanto para a economia quanto para o ambiente político do país.












