A compra da mineradora brasileira Serra Verde pela norte-americana USA Rare Earth, anunciada em 20 de abril de 2026, movimentou cifras bilionárias e reacendeu debates sobre soberania mineral, ainda que dentro de um roteiro já conhecido no mercado global. O negócio, avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões, algo próximo de R$ 14 bilhões, envolve pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e o restante em emissão de ações, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias federais.
No centro da negociação está a mina Pela Ema, localizada em Minaçu, no norte de Goiás, considerada a única operação ativa de terras raras no Brasil. Mais do que isso, trata-se de um ativo estratégico fora da Ásia capaz de produzir em escala comercial elementos essenciais como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, insumos fundamentais para tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos de defesa e chips voltados à inteligência artificial. A produção inicial já está comprometida, integralmente, por um contrato de 15 anos com destino aos Estados Unidos.
O movimento acontece em um contexto global marcado pela forte dependência da China, que domina cerca de 90% do mercado de terras raras. Nesse cenário, a aquisição pela USA Rare Earth reforça a tentativa norte-americana de diversificar fornecedores e reduzir vulnerabilidades estratégicas. O Brasil, nesse jogo, aparece como peça relevante, ainda que o controle operacional da principal mina em atividade esteja agora nas mãos de uma empresa estrangeira.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, teve participação indireta nesse ambiente de negócios ao assinar, em março de 2026, um memorando de entendimento com o governo dos Estados Unidos voltado à cooperação em minerais críticos. A iniciativa, apresentada como uma estratégia de atração de investimentos e desenvolvimento econômico, incluiu promessas de mapeamento geológico e capacitação técnica, com menções a financiamentos internacionais. Caiado classificou a parceria como vantajosa para ambos os lados.
A Serra Verde sempre foi uma empresa privada, e, conforme estabelece a Constituição, os recursos minerais pertencem à União.












