Esquema com remédios de câncer adulterados é alvo de operação

A Polícia Civil do Distrito Federal desmantelou uma organização criminosa envolvida na chamada “lavagem de medicamentos” de alto custo, muitos deles utilizados no tratamento de câncer. A investigação aponta que os produtos eram roubados ou desviados de distribuidoras e revendidos irregularmente a hospitais públicos, sem controle adequado de armazenamento, especialmente de temperatura, fator essencial para պահպանar a eficácia dos remédios.

A operação, batizada de Alto Custo e deflagrada na sexta-feira, dia 17 de abril de 2026, revelou que o esquema pode ter atuado por pelo menos seis anos em diferentes estados, como Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O caso acende alerta nacional e levanta preocupações que também ecoam em regiões distantes dos grandes centros, como Alta Floresta, onde a dependência de cadeias logísticas confiáveis é ainda mais sensível.

Entre os medicamentos desviados estão Imbruvica, Venclexta e Tagrisso, usados no tratamento de diversos tipos de câncer e com valores que podem chegar a R$ 80 mil por caixa. Segundo o delegado Laércio Rosseto, substâncias desse tipo exigem rigoroso controle térmico e, quando armazenadas de forma inadequada, podem perder o efeito ou até provocar intoxicação. A suspeita é de que pacientes tenham recebido produtos degradados, que funcionariam como “placebos de alto custo” ou até causariam danos à saúde.

As investigações apontam que o esquema contava com a participação de funcionários de uma empresa localizada no Aeroporto de Brasília, que escondiam os medicamentos em caixas destinadas ao descarte. Posteriormente, os itens eram retirados e revendidos por meio de empresas de fachada, com uso de notas fiscais frias, abastecendo hospitais e redes públicas de saúde. Em um dos casos mais recentes, uma carga avaliada em R$ 4 milhões foi interceptada antes de chegar ao destino final.

O líder do grupo, identificado como Alécio Soares Silva, teria movimentado cerca de R$ 22 milhões em apenas um ano. Ele e outro investigado seguem foragidos. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas, com três pessoas presas até o momento. A polícia ainda apura possíveis conexões com facções criminosas e trabalha, em parceria com a Anvisa, para rastrear os lotes desviados e avaliar o impacto sobre pacientes.

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