Nunes Marques suspende pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro. A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia adotada no levantamento.

Segundo o ministro, há indícios de que o questionário utilizado possa ter influenciado os entrevistados. Em análise preliminar, Nunes Marques afirmou que existem elementos que sugerem possível indução das respostas, especialmente em razão da utilização de conteúdos relacionados ao áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Para o magistrado, a controvérsia vai além de uma simples divergência metodológica e envolve a suspeita de uso do questionário como mecanismo de influência sobre os participantes da pesquisa.

A decisão tem caráter liminar e ainda será submetida ao plenário do TSE em sessão marcada para esta terça-feira (9). Além de determinar a suspensão da divulgação do levantamento, o ministro ordenou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para comprovar a regularidade da metodologia empregada, especialmente em relação ao uso do material em áudio. O Ministério Público Eleitoral também foi intimado a se manifestar no prazo de um dia.

Em sua decisão, Nunes Marques destacou que outras 27 pesquisas registradas pela mesma empresa junto ao TSE não utilizaram questionários semelhantes nem recorreram à veiculação de áudios. Para o ministro, esse fato reforça os indícios de possível comprometimento metodológico no levantamento questionado. A pesquisa havia sido divulgada em 19 de maio e indicava uma queda de seis pontos percentuais de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em nota, a AtlasIntel informou que respeitará a decisão judicial e afirmou confiar na análise técnica do colegiado do TSE. O instituto sustentou que o áudio não foi reproduzido durante a aplicação do questionário principal e que os participantes tiveram acesso ao material apenas após o encerramento definitivo das perguntas, em ambiente separado da pesquisa. A empresa também declarou confiar na robustez técnica e na legalidade do estudo realizado.

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