A Justiça de Mato Grosso concedeu prisão domiciliar à influenciadora digital Kauany Beatriz de Sá Silva, presa em Alta Floresta durante a Operação Showdown, deflagrada pela Polícia Civil. A decisão foi tomada em audiência de custódia realizada na sexta-feira, conduzida pelo juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop.
Kauany é investigada por participação em um esquema de lavagem de aproximadamente R$ 20 milhões provenientes do tráfico de drogas. Ela é filha de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, apontada como líder de uma facção criminosa que atua na região de Alta Floresta e que está foragida desde agosto de 2025, quando fugiu do Presídio Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Na decisão judicial, o magistrado considerou que a investigada está grávida e é mãe de uma criança menor de 12 anos, fatores que permitiram a substituição da prisão preventiva pelo regime domiciliar. Mesmo com a mudança, ela terá de cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do passaporte, manutenção de telefone e endereço atualizados e comparecimento a todos os atos do processo.
Outros dois investigados que também passaram por audiência de custódia, Guilherme Luareth, namorado da influenciadora, e Paulo Felizardo, avô de Kauany, tiveram as prisões preventivas mantidas pela Justiça. Os três foram alvos da mesma operação policial que investiga uma rede familiar suspeita de atuar no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro no norte de Mato Grosso.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses. O dinheiro seria proveniente do tráfico comandado por Angeliquinha e teria sido ocultado por meio de empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas, além do uso de plataformas digitais de jogos de azar para dar aparência legal aos valores.
A investigação também identificou outras atividades usadas para ocultar recursos, como a exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta. De acordo com a polícia, o ouro extraído era utilizado para reinserir o dinheiro ilícito no mercado formal, dificultando o rastreamento financeiro das operações ligadas ao grupo criminoso.













