Auditor fiscal foragido com mansão nos EUA é incluído na lista vermelha da Interpol por propina ligada à Ultrafarma

A Justiça de São Paulo determinou a inclusão imediata de Alberto Toshio Murakami, auditor fiscal de Rendas aposentado e conhecido como “Americano”, na Difusão Vermelha da Interpol, índice internacional de procurados, após ele estar foragido desde agosto de 2025, quando foi deflagrada a Operação Ícaro, investigação sobre suposto esquema de propinas envolvendo a Ultrafarma e servidores da Secretaria da Fazenda estadual.

Segundo a decisão da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, a medida atende a um pedido do Ministério Público, que busca garantir a efetividade da prisão preventiva de Murakami, sob acusação de receber subornos de vultosas quantias em espécie do empresário Aparecido Sidney Oliveira, dono do Grupo Ultrafarma, em troca de pareceres favoráveis ao ressarcimento de créditos de ICMS-ST à empresa.

Murakami e outro auditor fiscal, Artur Gomes da Silva Neto, foram denunciados por corrupção passiva. Artur já está preso e começou um acordo de delação premiada sem desdobramentos até o momento. A Justiça suspeita que Murakami esteja residindo em sua mansão no Tennessee, nos Estados Unidos, avaliada em cerca de R$ 7 milhões, o que motivou o uso do índice internacional para tentar localizá-lo.

A investigação aponta que os auditores, atuando desde 2021 até 2025, teriam recebido propina de Oliveira para beneficiar a Ultrafarma com deferimentos de créditos tributários e facilidades na transferência desses créditos, configurando um esquema que envolvia também outras duas assessoras que ajudavam a operacionalizar os pedidos favoráveis à empresa.

A denúncia faz parte de um conjunto de ações do Ministério Público de São Paulo que também inclui a acusação formal contra Sidney Oliveira e outros envolvidos por crimes de corrupção ativa e passiva, relacionados a pagamentos indevidos e facilitação irregular de benefícios fiscais, que podem ter gerado prejuízo significativo aos cofres públicos.

Autoridades afirmam que a inclusão na Difusão Vermelha da Interpol permitirá que agências internacionais de segurança localizem e capturem Murakami, assegurando a aplicação da lei penal e a responsabilização pelos crimes investigados, caso ele realmente esteja no exterior.

Com “Isto É Dinheiro”

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